KUROSAWA: COMPOSITOR DE MOVIMENTO

1Cinema é o mundo em movimento. Um cineasta soube como poucos enfatizar essa questão ao extremo.  O nome dele é Akira Kurosawa. Segundo um vídeo do Every Frame a Painting, o cineasta foi um especialista em saber colocar e entender o movimento da câmera no cinema. Acima de tudo, Kurosawa foi um compositor de movimento na tela.

Com esse argumento, o vídeo traz cenas Yojimbo (1961), Ran (1985), Rashomon (1950), Viver (1952), Homem Mal Dorme Bem (1960), Kagemusha (1980), entre outros. Sidney Lumet, Robert Altman e Paul Verhoeven também não deixaram de falar da importância do mestre do cinema japonês.

Ikiru-1 Continuar lendo

O CINEMA TOTAL DE DAVID LEAN

Omar Sharif and Julie Christie in the film Doctor Zhivago

O Centro Cultural do Banco do Brasil apresenta a mostra ‘O cinema total de David Lean, retrospectiva que vai homenagear o diretor britânico que se consagrou ao colocar nas telonas filmes épicos, e também algumas tramas mais intimistas. A programação vai reunir 18 filmes realizados pelo artista.

The Bridge on the River Kwai (1957) Directed by David Lean Shown second from left: Alec Guinness

A mostra está no CCBB Brasília até 4 de janeiro de 2016. O evento acontece simultaneamente no CCBB São Paulo, de 16 de dezembro a 11 de janeiro, e depois segue para o CCBB do Rio, entre 27 de janeiro e 15 de fevereiro. Continuar lendo

QUEM SÃO OS ZUMBIS DE VERDADE?

Dawn.of_.the_.Dead_.1978.1080p.BluRay.DTS-19

Se em A Noite dos Mortos Vivos (Night of the Living Dead1968), George Romero colocou os filmes de zumbi em um novo patamar, O Despertar dos Mortos (Dawn of the Dead, 1978) traz a obra-prima máxima do gênero com uma crítica ainda mais ácida e pessimista em relação ao futuro. Um longa que dialoga extremamente com os dias atuais.

dd3No longa de 1968, a questão do apocalipse zumbi era algo desconhecido, mas 10 anos depois, os mortos-vivos são uma constante na sociedade. Uma das personagens trabalha em uma emissora que exibe uma programação ininterrupta sobre os desdobramentos do caos. Existe até comentaristas para a questão, ninguém consegue chegar a uma conclusão, o sono vira pesadelo. Continuar lendo

QUAL O MELHOR FILME BRASILEIRO DE TODOS OS TEMPOS?

deus-e-o-diabo-1Único longa-metragem dirigido por Mario Peixoto e apresentado pela primeira vez em 1931, “Limite” é o melhor filme brasileiro de todos os tempos, de acordo com o ranking da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine), que contou com a participação de 100 críticos e jornalistas especializados do país.

Em segundo lugar aparece “Deus e o Diabo na Terra do Sol” (1964), de Glauber Rocha, um dos filmes mais importantes do movimento do Cinema Novo. “Vidas Secas”, de Nelson Pereira dos Santos, baseado no livro homônimo de Graciliano Ramos, lançado em 1963, fecha o pódio brasileiro, na terceira posição.

A lista não se limitou aos longas, com “Ilha das Flores” (1989), de Jorge Furtado, sendo o curta mais votado, ocupando a 13ª colocação. Também não houve distinção entre ficção e documentário, gênero que tem em “Cabra Marcado para Morrer” (1984), de Eduardo Coutinho, o seu representante melhor ranqueado, no quarto posto. Continuar lendo

#MOSTRASP: MIGUEL GOMES E MANOEL DE OLIVEIRA

001

Portugal sempre foi bem representado na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Os filmes de Manoel de Oliveira praticamente não entram no circuito do país, porém a presença na programação do evento é uma constante. Seja em retrospectiva ou em lançamento. Outro cineasta lusitano que tem ganhado notoriedade e espaço na Mostra é Miguel Gomes.

Com a morte de Manoel de Oliveira aos 106 anos, parecia que não teríamos mais filmes do diretor na 39ª Mostra Internacional. A surpresa veio com Visita ou Memória e Confissões, longa realizado em 1982, que o cineasta fez quando estava com 73 anos. A obra foi guardada e somente seria exibida após sua morte. A história ganhou uma cara de lenda, porém se mostrou realidade. Manoel achava que estava prestes a morrer, mas isso demorou, ótimo para nós!

15303311

A partir de memórias e confissões, este documentário póstumo, relata a importância que uma residência teve na vida do realizador. Com um movimento de câmera minimalista, entramos na vida do cineasta, em suas reflexões, o seu mundo, o seu cinema. O filme tem tom de despedida, pois ele foi obrigado a vender a casa em função das dívidas. Um homem que lutava para fazer o cinema, sempre lutou na verdade. Continuar lendo

#MOSTRASP: WOLFGANG BECKER, COLOMBIA E SON OF SAUL

ich-und-kaminski-von-wolfgang-becker-im-kinoiundk-plakatWolfgang Becker realizou um dos filmes mais divertidos da última Mostra: Kaminsky e Eu (Ich Und Kaminski, 2015). Na busca por fortuna e glória, o jovem jornalista Sebastian Zöllner (Daniel Brühl) é um homem sem vergonha e oportunista e se propõe a escrever a biografia de do pintor enigmático Manuel Kaminski (Jesper Christensen).

Antes, no entanto, ele tem de convencer o velho artista, que vive com sua filha nos Alpes. A história cruza a Europa Ocidental, dos Alpes à França, à Alemanha e à costa do Mar do Norte da Bélgica. Se torna uma verdadeiro road movie, onde se pretende descobrir como o artista cego conseguiu atingir um grande patamar no ramo da arte. Suborno, falta de ética, um velho rabugento compõem o mosaico da descoberta interior do jornalista charlatão.

Mostra Internacional Continuar lendo

#MOSTRASP: KITANO, DEEPHAN E VECCHIALI

RYU_3688_
Takeshi Kitano
é uma referência no mundo do cinema yakuza. Em Ryuzo E Os Seus Sete Capangas (Ryûzô To 7 Shichinin No Kobun Tachi, 2015), o diretor coloque em xeque todo o mundo criado com seus filmes clássicos, faz uma espécie de “Os Imperdoáveis” do gênero, calcado mais na comédia. Aposentado e descartado pela família de seu filho, Ryuzo, ex-chefe da máfia japonesa yakuza, está levando uma vida tediosa. Cansado de ser tratado como velho, ele convida o antigo tenente Masa para beber.

Mostra InternacionalRYU_7335

Conversando sobre os bons tempos e os antigos membros da yakuza, eles decidem organizar um encontro. Cinco homens aparecem e concordam em formar um grupo dos melhores —o Hall da Fama da Yakuza. Hoje, a máfia não rivaliza com outras famílias, e sim com organizações com cara de multinacionais, onde tudo é “aprovado e dentro da lei”. Os personagens vivem uma era mais do que crepuscular. Uma homenagem também ao Steve McQueen no clássico Bullitt (1958), de Peter Yates. Continuar lendo