WHY WE FIGHT

“A morte de qualquer homem me diminui, porque eu sou parte da humanidade; e por isso, nunca procure saber por quem os sinos dobram, eles dobram por ti”
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O que teria a ver a minissérie Band Of Brothers com a célebre reflexão de John Donne reproduzida com muito valor por Ernest Hemingway, além de um dos livros destaques de Eric Hobsbawm Era dos Extremos: o Breve Século XX: 1914 – 1991?
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A resposta poderia ser muitas e dada das mais diversas maneiras. Em todas estas três importantes produções, encontramos um ponto comum: a morte. Ou ainda mais, a banalização da morte! Mesmo pertencendo a um poeta do século XVI, a frase que abre esta reflexão, já denota um longo período em que a matança e a perda da vida começam a incomodar a consciência. E mais, vemos que nestas três comparações, há um elemento comum que gira em torno da morte. A Guerra!

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A frase é um resgate feito por Hemingway para dar início ao seu romance escrito em 1940 que leva o próprio sentido da reflexão Por Quem os Sinos Dobram. Isso traz a idéia de que conforme o dobrar dos sinos nas igrejas da Idade Média (principalmente), era anunciado a morte de alguém, lembrando a cada um que a hora da morte poderia estar próxima. Também se trata de uma obra que se passa durante a Guerra Civil Espanhola. E não coincidentemente, Eric Hobsbawm é citado aqui por sua análise concisa sobre o século XX, tratando desde o início da Primeira Guerra Mundial em 1914 até a crise desencadeada com a queda do Muro de Berlim, no ano de 1989. E para finalizar, vejamos qual a participação de Band of Brothers em tudo que foi discutido até aqui.
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O título desta postagem é um dos episódios da série americana. Esse capítulo retrata a imagem de toda destruição e matança que se espalhou pelo mundo durante as guerras, sobretudo a II Guerra Mundial. Os personagens principais se deparam com um campo de concentração judeu, instalado há algum tempo em uma vila alemã, onde nem os próprios habitantes do vilarejo sabiam de sua existência. Vamos a uma apresentação rápida sobre a minissérie para aos poucos tentar refletir o impacto da morte nestes últimos anos.
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Band of Brothers se passa durante a Segunda Guerra Mundial, co-produzida por Steven Spielberg e Tom Hanks . Foi uma grande produção que em muitos aspectos se aproximou do cenário real da guerra. A série é baseada no livro de Stephen E. Ambrose e narra a história da Companhia E (Easy Company) do 506º Regimento de Infantaria Pára-quedista do Exército Americano – 101ª Divisão Aerotransportada – durante sua campanha em um dos maiores conflitos da história.
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A companhia participou da invasão dos exércitos americano e inglês na Normandia, no dia 6 de Junho de 1944, o famoso Dia D, além da famosa Operação Market Garden e da Batalha do Bulge. Sem partir para extremos, a série mostra o dia a dia deste grupo de combate que foi para a linha de frente em muitas disputas. Treinadas como pára-quedistas, eles receberam toda a preparação física e mental para as futuras missões. E foi isso que aconteceu? Certamente que não, pois a grandiosidade dos eventos que participaram e as marcas que deixariam não poderiam ser previstas. Apenas partiram dos EUA levando consigo o orgulho de combatentes que tinham de deixar o seu lar, momento em que a reflexão e a ansiedade afetam a cada membro do exército.
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Passando pelo frio e por diversas perdas, o grupo conseguiu contornar situações e com número reduzido de membros, chegaram ao fim da guerra, ao menos para alguns deles… Unidos pela amizade, aos poucos se depararam com a dureza do inverno, com as perdas e com a face de violência psicológica da guerra. Há cenas fortes como a de um soldado vendo seus dois melhores amigos gravemente feridos e sentindo-se encurralado e sem esperanças, pedindo para retirar-se da guerra (o que é uma ofensa para um combatente). Além disso, a produção mostra os campos de concentração e toca na questão que tentamos refletir desde o início: a banalização da morte.
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Why We Fight não é uma pergunta e sim uma reflexão dos combatentes que chega a seguinte conclusão: “Por isso nós lutamos”, ou seja, nenhum significado. Permanece apenas o ódio daquele cenário de destruição, caos e o interrompimento de vidas comuns em nome da ideologia. Na Segunda Guerra Mundial, a humanidade conheceu a época de maior destruição do ser humano, com incontáveis massacres e que gerarão efeitos decisivos no futuro do mundo. Como peças de uma partida de War, estes e muitos outros combatentes eram movidos em um grande tabuleiro de um jogo muito grande, em que a perda de algumas centenas de soldados e civis era algo comum e substituível, afinal como no jogo, havia mais peças a serem colocadas no lugar daquelas que eram expulsas do tabuleiro.

Dessa forma, o século XX conheceu a Era dos Extremos e também viveu situações de companheirismos, independentes das ideologias que moviam o jogo, como no caso dos Band Of Brothers. Nesta superprodução, nos deparamos com o século em que a morte tornou-se comum e banal a nós, desprezando o Indivíduo completo e indivisível. Lutando sem razões, pessoas perderam a vida e participaram dos anos mais sangrentos da história da humanidade.

A morte se banalizou e “ideais” massacraram a memória e a vida de vários povos, que eram simplesmente contadas como números ou baixas da Guerra. Por isso, cada morte não deve ser tratada com uma baixa qualquer, como no exemplo de uma peça de uma partida de War. Mas como nos lembra John Donne, a morte não é algo qualquer, é a perda de uma parte do universo e de outro ser humano como nós, que é o único animal que mata ao seu semelhante. Indivíduos são singulares e carregam todos uma história. A morte de cada um que conhecemos é a morte de nós mesmos, “por isso não pergunte por quem os sinos dobram, eles dobram por ti”.
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Por Luís Fernando: Graduado em História e interessado em entender o que aconteceu, o que está acontecendo e o que pode acontecer.
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