PAULICÉIA DESVAIRADA

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Uma homenagem de La Poderosa para o maior pólo industrial e econômico do Brasil, ou seja, São Paulo. A cidade mais cosmopolitana do Brasil completa 456 anos.

O Cortejo

“Monotonias das minhas retinas…
Serpentinas de entes frementes a se desenrolar…
Todos os sempres das minhas visões! “Bom giorno, caro.”
Horríveis as cidades!
Vaidades e mais vaidades…
Nada de asas! Nada de poesia! Nada de alegria!
Oh! Os tumultuários das ausências!
Paulicéia – a grande boca de mil dentes;
e os jorros dentre a língua trissulca
de pus e de mais pus de distinção…
Giram homens fracos, baixos, magros…
Serpentinas de entes frementes a se desenrolar…
Estes homens de São Paulo,
Todos iguais e desiguais,
Quando vivem dentro dos meus olhos tão ricos,
Parecem-me uns macacos, uns macacos.”

Paisagem n.4:

Os caminhões rodando, as carroças rodando,
rápidas as ruas se desenrolando,
rumor surdo e rouco, estrépitos, estalidos…
E o largo coro de ouro das sacas de café!… (…)
Oh! este orgulho máximo de ser paulistanamente!!!
Estes são trechos do livro Paulicéia Desvairada de Mário de Andrade. A obra foi publicada em 1922 e mostra o cotidiano da capital paulista no começo dos anos 20. Parabéns São Paulo!
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