UMA HISTÓRIA DE NATAL – ARDENAS 1944

ss-ofensiva-ardenas-1944

A melhor história de Natal que eu conheço me foi contada por meu vizinho Alfredo Wernick, um alemãozinho duro que só amolecia na véspera de Natal, quando tomava alguns schnaps e saía de casa, cantando Tannembaum e abraçando seus espantados vizinhos. No dia seguinte, ele voltava a fechar a cara e passava pela calçada de cabeça baixa sem cumprimentar ninguém.

O Wernick tinha medo de seu próprio coração que era mole e doce. Pois no Natal de 1944, o Wernick estava nas Ardenas, o último e desesperado ataque alemão para deter as tropas aliadas. Nevava, fazia um frio de rachar e o Wernick caminhava pelo bosque esperando levar um tiro a qualquer momento. A batalha das Ardenas foi a última confusão da Segunda Guerra Mundial, um inesperado ataque de tanques levou as tropas alemãs para dentro das tropas americanas, e durante três dias, todo mundo atirou em todo mundo, sem saber ao certo quem estava do outro lado.
769px-deadbelgiumcivilians1944
O Wernick gostava do Natal e vinha justamente pensando na estupidez da vida. Lá estava ele cheio do espírito de Natal, e ao invés de abraçar seu semelhante, tinha que atirar nele. O Wernick cruzou uma árvore e paralisou, detido pelo som de um fuzil sendo engatilhado. Ele ergueu a cabeça e moveu os olhos. A dois metros dele, estava um soldado americano com um fuzil na mão.
Os dois se olharam e não se moveram, cada um esperando que o outro tomasse a iniciativa. Wernick, que estava com o fuzil abaixado, já estava se dando como morto, quando para sua surpresa, o americano disse em alemão:
– “Feliz Natal, meu irmão”
O Wernick foi inundado por uma imensa alegria e retribuiu os votos:
– “Feliz Natal para você também, meu irmão americano”
Bild 101I-244-2323-28A
O americano acenou para ele e Wernick bateu continência, depois cada um deles voltou para o bosque. Wernick nunca duvidou que tinha sido agraciado com um milagre, e naquela noite mesmo, disse ao capelão do seu regimento que não dispararia mais contra ninguém.
Por sorte, os americanos contra atacaram e Wernick foi feito prisioneiro no dia seguinte.Trinta anos depois, já no Brasil, assistindo a um programa da CBS sobre o Natal, ouviu assombrado um americano contar o seu milagre. Com um milhão de americanos lutando na Europa, Wernick encontrou naquela noite um americano de Milwauke, filho de alemães e Luterano como ele. Deve ter sido uma noite de Natal cheia de milagres. E o maior deles estava guardado no coração de dois soldados.
* Texto retirado do site: Segunda Guerra Mundial
Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s