JARBAS HOMEM DE MELLO

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O Fantasma da Ópera, Grease – O musical, Lés Miserables,Rent e agora Zorro, o Musical. Ou seja, Jarbas Homem De Mello coleciona espetáculos de grande porte na carreira. Momentos antes de mais uma apresentação de Zorro, o Musical no Teatro das Artes, com sua simpatia e bom humor, o ator falou de sua trajetória nos palcos, como é interpretar o Zorro e o Diego de La Vega. Ao mesmo tempo, falou o porquê da arte teatral ser diferenciada.
Leia a entrevista abaixo.
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ClickCultural – Zorro já foi adaptado nos quadrinhos, literatura, cinema. Onde você se baseou para interpretar o personagem?

Jarbas Homem De Mello – Para esse espetáculo, entrei como coreógrafo de flamenco, trabalhei junto com a Kátia Barros [Coreógrafa]. No começo do processo, o Roberto Lage [Diretor] também me chamou para ser assistente da direção. Fui convidado a interpretar o personagem porque o Murilo Rosa decidiu fazer uma novela. Apesar disso, conheço o Zorro desde a época da minha infância, na época em que tinha o seriado em preto e branco. Essa série originou o filme de Hollywood, pesquisando descobri que Alain Delon foi o primeiro Zorro. Fui atrás de várias coisas, o espetáculo é inspirado no livro Zorro: Começa A Lenda de Isabel Allende. A obra traz toda a gênese do personagem, sua infância, o lado indígena da avó do personagem, ele se chama Zorro porque esse é o animal de poder dele, uma raposa que vivia entre os índios, o livro é muito rico mesmo.
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ClickCultural – Você teve alguma dificuldade na luta de esgrima?

Jarbas Homem De Mello – É uma coreografia de alta periculosidade, por mais que não tenha ponta, uma pancada no dedo machuca. Para mim, foi a parte mais difícil, pois nunca tinha trabalhado com esgrima. Os movimentos não são difíceis, mas tornar a luta verossímil para o público é o grande barato.
ClickCultural – Como é interpretar o Zorro e o Diego de la Vega, dois personagens distintos no espetáculo?

Jarbas Homem De Mello – São quase três, na verdade. O Diego está em busca da sua identidade. Ele é filho de um fidalgo que é convocado para uma Academia Militar, após se dar mal, encontra os ciganos com um mundo cheio de liberdade. Entretanto, o destino pede para que ele tome uma decisão, então o personagem se torna o heroi mascarado. Acho que o Zorro é o alter-ego do Diego, é o homem que ele vai se tornar. Ao mesmo tempo, o Diego é um fake quando está perto do seu irmão.
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ClickCultural – Você já participou de grandes espetáculos como O Fantasma da Ópera, Only Broadway,Grease – O musical, Lés Miserables, Rent. O que te impulsionou a entrar no mundo do teatro musical?

Jarbas Homem De Mello – Eu sou do Rio Grande do Sul e lá sempre fiz várias coisas ao mesmo tempo. Tinha uma banda de rock, dançava em um grupo na escola, fazia teatro amador. Quando vi para São Paulo em 1994, descobri que podia fazer todas essas artes juntas. Infelizmente, lá não tinha essa possibilidade. Comecei a trabalhar com musicais infantis de 1995 até 1998. Em 1999, veio o Rent para o Brasil, fiz as audições e passei, acabei interpretando o Mark, um personagem importante no espetáculo. De lá para cá, não parei mais, percebi que esse é meu caminho, dançar, cantar, interpretar, quero fazer de tudo [Risos].
ClickCultural – Antes o Brasil não tinha uma cultura de musicais…

Jarbas Homem De Mello – Com certeza, a situação melhorou de Rent para cá. Há dez anos não conseguiria montar o Cats no Brasil, por exemplo. Nem o Zorro, pois os atores têm que cantar, dançar e interpretar.
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ClickCultural – Como é cantar, dançar e interpretar no palco ao mesmo tempo?

Jarbas Homem De Mello – Hoje se tornou algo natural para mim. Sou de uma época em que a “Sessão Da Tarde” passava musicais dos anos 40 e 50, cresci vendo Gene Kelly, Fred Astaire, entre outros. Eles sempre foram meus ídolos e inspirações, além disso, atuo em peças convencionais, pois sempre é bom variar.
ClickCultural – Além de atuar, você também trabalha na direção de espetáculos. Como é viver esses dois lados?

Jarbas Homem De Mello – Por incrível que pareça, comecei a dirigir por falta de opção. Cheguei em São Paulo e entrei em um grupo de dança flamenca. A diretora Jussara Correia queria fazer um espetáculo teatral com dança, como era o único que fazia teatro, ela pediu para eu exercer a função de diretor. Dirigi vários espetáculos, foi meu laboratório, experimentei de tudo, do mais cafona a algo mais experimental. Também fui diretor de algumas comédias e uns musicais como Comunità – O musical, Constellation – O musical. Acho que é uma função que completa a outra, como sou ator, traz uma facilidade, tenho a visão dos dois lados. Além disso, adoro fazer parte da iluminação.
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ClickCultural – O que você faz momentos antes de começar o espetáculo?

Jarbas Homem De Mello – Eu tenho que verificar se a tirolesa está firme, se o microfone está funcionando, tem também o aquecimento de voz e corpo, sempre vejo se tudo na coxia está no lugar, pois tenho muitas trocas de roupas. Cada detalhe deve ser feito com cautela para não causar nenhum problema. Minutos antes de entrar em cena, cada um vai para seu canto, chama seus deuses [Risos]. E agora tenho a Santa Sara, uma santa nova que cuida dos ciganos [Risos].
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ClickCultural – O teatro é diferente? Pois, em todas as sessões é preciso manter o frescor do espetáculo, o trabalho não acaba na estreia.

Jarbas Homem De Mello – Exatamente, cada espetáculo é diferente do outro, acho essa a grande magia do teatro. Essa é uma arte efêmera, quem viu aquele espetáculo não verá o mesmo durante a temporada inteira. O texto, as marcações, as respirações são as mesmas, entretanto a comunicação com o público é naquele momento, é preciso lutar para manter esse frescor. Senão você vicia e automatiza, entrei nessa profissão procurando uma direção como todo jovem. Com o tempo e o amadurecimento, você percebe que é uma vocação que vem com uma missão: o público não pode sair da mesma maneira que entrou, alguma coisa tem que ser modificada nele através do espetáculo.
*Matéria realizada para o site ClickCultural
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