EMOÇÕES BARATAS

fto_ft2_11109Um musical? Um trabalho de dança? Interpretação? Emoções Baratas é uma produção requintada, se fosse classificá-la em um gênero estaríamos diminuindo sua qualidade. Essa montagem é do diretor José Possi Neto, que remontou o show, criado por ele em 1988.
O espetáculo traz atores que se misturam em meio ao público e começam a dançar de repente, subindo até em cima das mesas do Estúdio EMME. Além disso, a banda e as cantoras executam o que existe de melhor do jazz com as composições de “Duke” Ellington.
José Possi Neto está beirando os 40 anos de carreira, antes de mais uma apresentação, o diretor falou sobre a concepção de Emoções Baratas, sua parceria com a Christiane Torloni e como é trabalhar com várias montagens em um curto espaço de tempo.
Leia a entrevista abaixo.
fto_ft1_11079ClickCultural – De onde surgiu a ideia de trazer Emoções Baratas novamente para os palcos?

José Possi Neto – Esse espetáculo resultou como um musical, fiz como um trabalho de teatro e dança, que tem uma linguagem muito específica. Como o tema principal era o “Duke” Ellington, só poderia ter se tornado um musical. Na época em que estreou [1988], teve um grande sucesso, pois não tinha musicais. O espetáculo tem uma estrutura diferente dos musicais americanos, não conta uma história. Na verdade, sugiro várias histórias, que é o público que projeta. O grande trunfo desse espetáculo é que “Duke” Ellington é o melhor do jazz, além disso, tenho uma banda com nove músicos fantásticos, os bailarinos deixam qualquer um enlouquecido, ainda há duas grandes cantoras. Tive isso no passado, muitos falam que se sentem na Broadway. Lá, eu acho que eles são caretas. Aqui existe um olhar brasileiro sobre o universo americano.fto_ft1_11091ClickCultural – Algumas pessoas que assistiram a peça em 1988 também conferiram a versão de 2010?

José Possi Neto – Sim, o engraçado é que a Bibba Chuqui assistiu várias vezes a versão de 1988 e sonhava em participar do espetáculo. Hoje, ela canta divinamente no Emoções Baratas.
fto_ft1_11080ClickCultural – Como foi sua inspiração para criar o espetáculo?

José Possi Neto – Vivi um tempo em Nova York e fazia pesquisa em teatro e dança de vanguarda. Nessa época, fui visitar uns amigos que trabalhavam em um espetáculo e eles se apresentariam em Boston. Como já tinha visto essa montagem várias vezes, eu ficava andando pela cidade até encontrar eles após o espetáculo. Uma noite, ouvi um som maravilhoso que vinha de um lugar que não sabia de onde era. Percebi que era um porão, onde funcionava um Clube de Jazz pequeno. Tinha também um bar, a banda tocava fenomenalmente, o lugar estava lotado com todos sentados. O que me chamou a atenção é que o som fazia vibrar as paredes, porém ninguém dançava. Decidi que se fizesse um espetáculo com jazz, os intérpretes se misturariam com o público e de repente começariam a dançar. Foi assim que nasceu Emoções Baratas. Isso ocorreu em 1977, mas só fui realizar em 1988, ou seja, 11 anos depois. Não sou uma pessoa ansiosa, ficou guardado no bolso até surgir a oportunidade.fto_ft1_11094ClickCultural – Como é a sua parceria com a Christiane Torloni? Vocês já fizeram vários trabalhos juntos.

José Possi Neto – Estreamos há 22 anos com O Lobo de Ray-ban, foi na mesma época de Emoções Baratas. O interessante é que começamos com A Loba de Ray-ban no ano passado e voltei com Emoções Baratas este ano, quase um Déjà vu mesmo. Com a Christiane Torloni, tenho um grande casamento artístico, temos uma relação de vida e trabalho que não tem mais limites, não se sabe onde começa um e termina o outro. Ela se identificou com meu processo de criação, que é um teatro totalmente físico. Apesar de não ter estudado técnicas de dança, tenho um olhar forte para essa arte e o meu trabalho com a Christiane reflete isso.
fto_ft1_11098ClickCultural – Você dirigiu muitos espetáculos recentemente. Teve A Loba de Ray Ban, Amigas, pero no mucho, Usufruto e Bark! Um Latido Musical, Emoções Baratas. Como foi lidar com várias produções em um curto espaço de tempo?

José Possi Neto – Com muitos anos de experiência, você se acomoda ou ganha algumas ferramentas que manipula com muita precisão. Faço ópera, musicais, teatro e trabalho com cias de dança. Por exemplo, aconteceu de Usufrutoe A Loba de Ray Ban serem ensaiados simultaneamente, um de manhã e outro à tarde. Os trabalhos são diferentes um do outro na forma de estética e linguagem. Eu desligo um chip e ligo outro, nenhum atrapalha o outro espetáculo. Os meus intérpretes me inspiram de maneira diferente, eles são ótimos.
Serviço

Local: Estúdio EMME
Endereço: Avenida Pedroso de Morais, 1.036 – Pinheiros – São Paulo
Data: Sextas às 21h30 e sábados às 21h até 19 de dezembro
Tel: (11) 2626-5835
Preço: De R$ 50 a R$ 80
*Matéria para o site ClickCultural
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