O CONTRATO


Em preparação para estrear Bichado (a terceira peça
da Trilogia da Guerra) e mais duas peças em 2012, o Núcleo Experimental
volta em cartaz com a comédia O Contrato.
O espetáculo – sobre as relações de poder no ambiente de trabalho –
reestreia dia 11 de novembro, sexta-feira, às 21h30, no Instituto
Capobianco
. Texto de
Mike
Bartlett

tem
direção de Zé Henrique de
Paula
e
Sérgio Mastropasqua
e
Renata Calmon no elenco.
Enquanto O Contrato retoma temporada, o Núcleo
Experimental está em processo de seleção de elenco para a nova peça
Bichado, do autor norte-americano Tracy Letts, que deve estrear em março.
“Entre mais de 200 inscritos, selecionei 15 atores que participarão de uma
oficina, coordenada por mim e pela Inês Aranha”, conta o diretor Zé Henrique de
Paula. A peça é a terceira parte da Trilogia da Guerra – a primeira parte foi
As Troianas – Vozes da Guerra e a segunda foi Casa /
Cabul
.

As novidades do Núcleo Experimental e do diretor Zé
Henrique de Paula não param por aí. “Em 2012, dirijo mais duas peças:
After
Miss Julie
, de Patrick Marber (com Caco Ciocler e Patricia Pichamone) e
Ou você poderia me beijar, de Neil Bartlett (com Marco Antonio Pâmio e
Clara Carvalho)”.


 

O CONTRATO

A montagem brasileira de O Contrato preserva o tom cínico, às
vezes sarcástico, do texto de Bartlett, investindo no jogo entre os atores
Sergio Mastropasqua e Renata Calmon para explorar a fundo o tema
das fronteiras tênues entre o universo pessoal e a vida
profissional.
Com cenas que mostram o humor negro do autor inglês,
a ação concentra-se num único ambiente: o escritório asséptico e
impessoal onde o Gerente submete sua funcionária Emma a uma série de provações.
Fazendo valer sua posição, ele manipula e inferniza a vida de sua funcionária,
que a tudo resiste em nome do salário mensal. E o final é
surpreendente!
Além do riso, o espetáculo provoca na plateia
questionamentos cada vez mais pertinentes na atualidade. Quanto vale um emprego?
Dignidade pode ser comprada? Quanto há de Gerente, ou de Emma, dentro de cada um
de nós? Emma tem sua vida pessoal invadida e dissecada por uma espécie de versão
corporativa de Big Brother orwelliano – nada, nem os aspectos mais íntimos da
existência da funcionária escapam ao olhar do Gerente.
Para o diretor Zé Henrique, a peça
tem “ecos próximos do Teatro de Absurdo, às vezes com reminiscências de Ionesco
ou Tardieu (especialmente no que se refere à linguagem)”. De acordo com ele,
“trata-se de uma dissecação da funcionária Emma que, em 14 cenas, é exposta a um
Grande Irmão orwelliano, em versão capitalista e corporativa. O Gerente, mais do
que investigar ou reprimir o comportamento da funcionária, perscruta o
comportamento amoroso de Emma, numa espécie de raio-x que expõe a funcionária ao
que pode haver de pior no ambiente das grandes corporações: humilhação,
aliciamento, manipulação, assédio, chantagem’.




O ator Sergio Mastropasqua completa: “Num tempo em que se fala de
recessão, crise global, desmoronamento dos mercados, o medo e a impotência do
funcionário se refletem numa obediência cega, humilhada e ignorantemente
subserviente a quaisquer exigências, por mais absurdas que possam parecer. O
poder e a importância do dinheiro na vida de um funcionário comum determinam sua
predisposição, às vezes voluntária, a fazer de
tudo
pelo bem da empresa. E garantir seu posto, seu salário e sua
baia”.

A comparação com a distopia de
Orwell não é ao acaso. Ao resenhar a obra para o guia Time Out, o jornalista Andrew Hayton
comentou: “No final de seus 50 minutos de duração, a peça O Contrato, de Mike Bartlett, que começa
como uma aguda sátira dos regulamentos para o espaço do trabalho, torna-se um
‘1984’ dos tempos atuais”.
Vencedor do Olivier Award de
2010, com a peça Cock, encenada pelo Royal Court Theatre, Mike Bartlett é uma
força emergente da nova dramaturgia inglesa. Sua obra Contractions é de 2008 e
tem sua origem numa peça radiofônica, também de sua autoria, Love Contract.
Reflexo de um período em que a crise global ameaçava derrubar mercados europeus
em efeito dominó, a peça traz uma reflexão sobre o clima de ansiedade instaurado
pela recessão, o que se reflete no pavor coletivo dos trabalhadores diante da
ameaça do desemprego.
Com 5
anos de tablado, o Núcleo
Experimental
tem seis peças produzidas (Senhora dos Afogados, Cândida, O Livro dos Monstros Guardados, As Troianas-Vozes da Guerra, Casa/Cabul e O Contrato) e se prepara
para estrear mais três (Bichado,
After Miss
Julie
e Ou você poderia
me beijar
), fez 485 apresentações,
contabiliza mais de 49 mil espectadores diretos e foi indicado a 13
prêmios.

O CONTRATOReestreia dia 11 de novembro
de 2011
. No Instituto Capobianco. De 11 de novembro a 11 de dezembro.
Sextas às 21h30; sábado às 21h e domingo às 19h.
Ingressos: R$ 30. Texto: O Contrato, de Mike Bartlett.
Direção: Zé Henrique de Paula. Tradução: Renata Calmon. Assistente
de direção: Beto Amorim. Elenco: Sergio Mastropasqua e Renata Calmon.
Trilha original: Fernanda Maia. Preparação de atores: Inês Aranha.
Cenografia e Figurinos: Zé Henrique de Paula. Assistente de Cenografia
e figurinos
: Cy Teixeira. Iluminação: Fran Barros. Fotos:
Ronaldo Gutierrez e Bob Sousa. Produção executiva: Gabriela Germano.
Administração: Claudia Miranda. Produção: Firma de Teatro.
Assessoria de Imprensa – Arteplural Comunicação/ Fernanda Teixeira,
Adriana Balsanelli, Douglas Picchetti. Censura 14 anos. Duração:
60 minutos.

INSTITUTO
CULTURAL CAPOBIANCO

– Rua Álvaro de Carvalho, 97, Centro, fones (11) 3237-1187 e  begin_of_the_skype_highlighting (11)
3237-1187 end_of_the_skype_highlighting.
Horário de funcionamento: das 14h às 22h. Ar condicionado e acesso para
deficientes.
 
www.institutocapobianco.org.br

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