DO BRASIL À GRÉCIA

O-Homem-Que-Não-Dormia1Um dos maiores objetivos da Mostra Internacional de Cinema é descobrir novos filmes, ampliar repertório e abrir novos horizontes. Com essa linha de pensamento, foi a vez de assistir O Homem que Não Dormia (Brasil) e Attenberg (Grécia).
O longa brasileiro conta com a direção de Edgard Navarro. A história se passa no interior da Bahia e mostra os tormentos de cinco personagens diante de um mesmo pesadelo em um vilarejo no qual é perpetuada a lenda de um tesouro deixado por um “barão desencarnado”, cuja maldição é nunca dormir.
A cena inicial traz um mosaico de imagens que revela uma miscelânea de sonhos. O que no início e uma virtude prejudica a obra com o decorrer do tempo. Realidade e fantasia se confundem, não há uma distinção no que é fato ou ilusão. Tramas e subtramas prejudicam a unidade da narração.
Apesar disso, O Homem que Não Dormia em seus méritos como alguns personagens icônicos como o “Pra Frente Brasil”. Um andarilho que anda a esmo e sai do sério quando houve as palavras “Pra Frente Brasil”. O personagem ficou traumatizado com essa frase, pois foi torturado injustamente na época da ditadura militar e esse trecho era repetido exaustivamente em função da Copa do Mundo de 1970. E o que dizer de um padre que sempre consulta uma mãe de santo? O filme é uma verdadeira afronta ao circuito dominado pelos blockbusters americanos ou os filmes-novela brasileiros.

ATTENBERG_STILL_04Attenberg tem a direção de Athina Rachel Tsangari. Na trama, Marina, 23 anos, moraAttenberg-816322143-large com seu pai arquiteto em uma típica cidade industrial da Grécia. Achando a espécie humana estranha e repulsiva, ela mantém-se distante de outras pessoas. Ela observa os outros através das músicas do grupo de rock Suicide, das lições de educação sexual que recebe de sua única amiga (Bella) e dos documentários sobre mamíferos de David Attenborough (Naturalista britânico conhecido por sua carreira em programas sobre história natural).

A protagonista é uma mistura de ingenuidade e sedução, drama e comedia. O longa propõe mais interpretações do que se fecha em somente uma história. A solidão é persistente até mesmo quando ela se encontra acompanhada, branco e vazio ganham força principalmente nas cenas de Marina.
Uma resposta para toda essa fragmentação de sentido seria a crise atual vivida pela Grécia, uma época onde existem mais perguntas do que respostas. Essa é a regra primordial de Attenberg.
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