FAUSTO: DE MURNAU À SOKUROV

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Um dos nomes mais aguardos da Mostra Internacional de Cinema, Fausto causou expectativa e filas para os cinéfilos que não queriam perder a oportunidade de conferir a obra que faturou o Leão de Ouro no Festival de Veneza.
Fausto é o protagonista de uma popular lenda alemã de um pacto com o demônio, baseada no alquimista alemão Dr. Johannes Georg Faust (1480-1540). A obra de Goethe é símbolo cultural da modernidade, um poema de proporções épicas que relata a tragédia de um homem da ciência que, desiludido com o conhecimento de seu tempo, faz um pacto com o demônio Mefistófeles, que o enche com desejos mundanos.
Na versão de Murnau de 1926, o diretor traz um aspecto de pintura nas tomadas. A cena em que Gretchen está desolada nas ruas envolta da neve que cobre a cidade é um exemplo perfeito, o cineasta sempre procurava extrair belas imagens.
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Na trama, Fausto está cansado de ver a onda crescente da peste negra, Mefistófeles dá ao personagem de volta sua juventude, fazendo com que ele aspire ao desejo das mulheres novamente. A pura Gretchen é a que mais desperta seus anseios. O longa é uma verdadeira batalha entre o lado divino e o demoníaco, luz e trevas, bem e mal, características que estão inseridas em qualquer ser humano.
faust_28129_bassaJá a leitura de Sokurov começa com uma tremenda imagem aérea, o belo também é uma questão importante do cineasta russo. A Gretchen ganha um verdadeiro aspecto angelical ao ser observada pelo personagem título interpretado por Johannes Zeiler. Fausto é um pensador especialista em várias ciências que briga com impulsos de cobiça e luxúria.
O Mefistófeles – de 2011 – é vivido por Anton Adasinsky. Uma criatura que tem o dom palavra, uma solução nefasta para qualquer dilema. Um ser deformado, adora ambientes sujos e com ares sexuais. Além da retórica, está sempre pronto para dar um “cutucão” na Igreja ao tentar virar um benfeitor de uma delas ou escolher o ambiente religioso para evacuar. Um arquiteto que planeja apenas construir um caminho que leve em direção ao aprisionamento da alma de Fausto.movie-Faust-Alexander-Sokurov-2011-www.lylybye_.blogspot_.com_4_O diretor fecha uma quadrilogia do poder que também envolvem Adolf Hitler em Moloch (1999), Lenin em Taurus (2000), Hirohito em O Sol (2005). Fausto se mostra uma obra atemporal ao abordar temas pertencentes a natureza humana desde os tempos mais primórdios. Não é à toa que a história tem ganhado os palcos e os cinemas de forma acentuada. Sokurov não superou Murnau, ambos fizerem duas adaptações bem elaboradas sobre o mesmo assunto.
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