ÁGUA

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Mergulhado em três toneladas de água, dentro de um cilindro de acrílico transparente de 3 metros de comprimento por 110 cm de diâmetro (o acquabox), João Paulo Lorenzon interpreta seu quarto monólogo. Traçando uma linha tênue entre o fim de uma paixão e a sensação de afogamento, o espetáculo Água está no Espaço Parahaus, no Alto de Pinheiros. A direção é do próprio ator, com a colaboração da co-diretora Karim da Hora.
Ora se debatendo na turbulência das águas, ora flutuando em sua suavidade, o personagem interpreta 20 pequenas histórias – textos de sua autoria mesclados a fragmentos literários de Umberto Eco, Péter Esterházy, Vinícius de Moraes, Garcia Lorca, Paul Celan, Sándor Marai, William Blake, entre outros. Assim, desenvolve uma espécie de balé, coreografia com movimentos delicados e bruscos.
Para criar o conceito do espetáculo, João Paulo se inspirou na própria vida. Ele sofreu três afogamentos, um na infância e dois quando era mais jovem. “O estado de afogamento e o fim de um relacionamento são situações diferentes, todavia estão bem próximos. Sonhamos tanto e imaginamos ser felizes; entretanto, após o final de um romance, é como se a água nos inundasse, saímos exaustos, sem fôlego ou mesmo aliviados.”

A trama não é fechada, propõe uma multiplicidade de leituras. A água funciona como outro personagem – pode simbolizar o lado feminino com sua delicadeza, o tempo como se fosse uma ampulheta, a representação do fim ou uma purificação a cada mergulho.

A co-diretora Karim da Hora é a responsável por dar um olhar especial ao espetáculo. “Essa é uma parceria que dura 9 anos, pois fui aluna de teatro do Lorenzon. A peça tem uma pluralidade, os mergulhos funcionam como uma dança e a música se casa com cada movimento.”IMG_5561 Karim Da HoraAcquabox – espaço inusitadoNão é de hoje que Água está na mente do ator. O espetáculo vem se desenhando desde sua interpretação em De Verdade , onde um homem contava seus fracassos amorosos. Nessa montagem, ele já queria usar um aquário, contudo esbarrava na dificuldade de encontrar o recipiente certo. O projeto do novo espetáculo se concretizou a partir do encontro de João com o artista plástico italiano Maurizio Mancioli, proprietário da galeria de arte Espaço Parahaus, onde está instalado o acquabox.
Não existe um desperdício de água em função da arte, pois esse “aquário humano” tem um sistema de drenagem que garante a renovação do líquido, um conceito de sustentabilidade. Mancioli mora no Brasil há 18 anos e informou que, antes da concepção do espetáculo, o dispositivo era usado para performances subaquáticas.
IMG_5534 Karim Da Hora Sobre os monólogos de João PauloÁgua é o quarto monólogo da carreira de João Paulo Lorenzon. O ator já estrelou Memória do Mundo (2008); O Funâmbulo (2009) e De Verdade (2010). “Não foi algo planejado, simplesmente aconteceu.”
Memória do Mundo era inspirado em Jorge Luis Borges e tinha direção de Élcio Nogueira. “Para falar desse escritor argentino tinha que ser um monólogo, só na solidão é possível falar de um homem diante do infinito, de um labirinto.”
Já O Funâmbulo – de Jean Genet, direção de Joaquim Goulart – retratava a vida de um equilibrista, o ator foi até a França para conseguir os direitos do espetáculo. “Em função da peça tive até que aprender andar no fio de aço, uma ótima experiência.” Com De Verdade, João Paulo Lorenzon já era acompanhado pelos versos de Sándor Márai e pela direção de Antonio Januzelli. A montagem mostrava um homem que falava de seus fracassos amorosos.
Em 2011, ele esteve ao lado de Helô Cintra no espetáculo Decifra-te ou Me Devora, com direção de Elias Andreato. “Monólogos não são mais trabalhosos do que um espetáculo convencional, pois toda obra que é bonita é desafiadora, seja no coletivo ou sozinho”, enfatiza o autor.
Maurizio MancioliExposição
Antes da sessão do espetáculo, quem quiser pode conferir uma exposição com curadoria de Jurandy Valença e Maurizio Mancioli, criador da cenografia de Água, e proprietário do espaço onde funciona a galeria. Trata-se de uma mostra de arte contemporânea que reúne fotografias, pinturas, desenhos, gravuras, esculturas, objetos, instalações, vídeo-arte, performances e teatro. A primeira exibição da mostra ocorreu paralela à Bienal de São Paulo em 2010.
“E se não tivéssemos sido amantes, você não teria fugido da cidade, do convívio comigo, do lugar de sua falta, como fazem as fugitivas, mas teria ficado aqui, me enganado e traído, como todas as pessoas, o que me teria feito mal, mas teria sido menos grave do que tudo o que fez justamente por sermos amantes. E agora devo dizer algo que fui percebendo aos poucos, algo que custei a crer e que inclusive procurei negar a mim mesmo: ainda hoje e apesar de tudo, nós dois somos amantes.”
PARA ROTEIRO:
ÁGUA – Sábado, às 19h30 no Espaço Parahaus. Rua Caminha de Amorim, 532 – Alto de Pinheiros. Telefone: 8974-7869 Temporada de 12 de novembro a 4 de dezembro. Sextas às 21h, sábados e domingos às 19h30. Ingressos: R$ 20,00 e meia R$ 10,00. Vendas também pelo site: http://www.clubtickets.com.br. Lotação: 30 lugares. Duração: 40 minutos.
FICHA TÉCNICA:
De João Paulo Lorenzon. Direção: João Paulo Lorenzon. Co-direção: Karim da Hora. Realização e Direção de Produção: Fernanda Bianco. Preparação do ator: Janô – Antônio Januzelli. Cenografia e iluminação: Maurizio Mancioli Fotografia: Juliana P. Neumann, Karim da Hora e Maurizio Mancioli.
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