UM GÊNIO BRASILEIRO

21470637_4Em 2010, frequentei um curso de crítica na Faculdade Cásper Líbero ministrado por Daniel Piza. Sempre admirei seus textos e já na primeira aula com sua simplicidade veio para dizer o seu principal objetivo. Sua intenção era provocar. E como ele provocou. A partir daí, ele foi ponto de partida para conhecer novos autores e livros sobre os mais variados temas.

Há poucos dias terminei de ler Machado de Assis: Um Gênio Brasileiro. Uma biografia desse ícone da literatura nacional. O livro é referência para quem deseja se aprofundar em Machado, que trouxe histórias universais com seus personagens e dilemas. O texto mescla a vida do escritor com sua obra, algo que – por muitas vezes – se tornavam uma coisa só.

“… Podia ficar três dias sem pôr os pés fora de casa. Quando o fazia, mostrava uma triste figura, como viu o adolescente Alceu Amoroso Lima, futuro crítico literário, então seu vizinho do Cosme Velho: “Nem sombra do sol, nesse vale sinuoso e úmido, à hora em que Machado, incuravelmente ferido pela morte da companheira, descia de sua casinha deserta, sozinho, sombrio, com a bengala às costas entre as mãos cruzadas, a barba inculta e rala, o olhar baixo, arrasando consigo uma longa tristeza”.

imageSeu único deleite, além de jogar paciência com baralho e de receber mensagens de estima dos amigos, era a leitura de autores como Schopenhauer e Renan, duas de suas maiores influências intelectuais (…).

Machado leu também por empréstimo de Mário de Alencar, um romance de George Meredith, O Egoísta, sobre a solidão de um velho aristocrata vaidoso que rejeitara todas as mulheres por não julgá-las à sua altura.

E releu uma biografia de Flaubert e registrou: “Achei a mesma solidão e tristeza e até o mesmo mal, como sabe, o outro…” Flaubert também sofria de epilepsia” .

imageSemana passada, como a maioria, fui pego de surpresa pela morte repentina desse jornalista e escritor. Piza era um profissional que ia além, um contraste do jornalismo marasmo dos tempos atuais. Sua propriedade para falar sobre qualquer assunto era um dos seus maiores trunfos, a prova podia ser vista semanalmente na Coluna “Boleiros” sobre futebol e “Sinopse” sobre cultura, ambas no jornal O Estado de S. Paulo. Ou até mesmo em seu blog, livros e até nas suas participações na Rádio Estadão/ESPM.

Era um profissional completo, que teve uma ascensão rápida, o que levou a ser considerado um dos melhores de sua geração. Nem Roberto DaMatta e Veríssimo deixaram de mostrar o pesar dessa perda em suas últimas colunas. Ficam as memórias, os aforismos, as palavras, a provocação de um gênio brasileiro… Uma lágrima. Muito obrigado Piza.

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