J. EDGAR DE EASTWOOD

j-edgar-1Desta vez, Clint resolveu pegar carona na vida de John Edgar Hoover, o primeiro Diretor do Federal Bureau of Investigation (FBI). Um homem que esteve no cargo por 48 anos, enfrentou a ira e a admiração de muitos, usou seu poder para bater até de frente com 8 presidentes americanos.

Desde sua juventude, ele já mostrava o seu ideal patriótico. No ano de 1919 foi indicado para investigar estrangeiros suspeitos de subversão, os chamados bolcheviques. Sua missão resultou na expulsão do país de um grande número de pessoas. Com o sucesso em seu trabalho, foi subindo de cargo até chegar a ser chefe do Departamento.

Hoover procurou construir uma imagem imponente, se inspirada nas belas poses das estátuas que ficavam ao seu redor. Um homem que não tinha limites e queria evidenciar isso para todos que o cercavam. Até sua mesa foi preparada para se estabelecer como um altar e enfatizar seu poderio perante os que aproximavam.Leonardo DiCaprio absorveu todos esses requisitos para interpretar um dos melhores papeis de sua carreira. Além do lado metódico (Hoover foi um dos responsáveis por catalogar a Biblioteca do Congresso e usou de sua organização para fazer um banco de impressões digitais), o personagem demonstra suas fraquezas como qualquer ser humano.

J-Edgar-27Out2011-65Sua fala rápida e precisa (Speed) é resultado de uma alternativa para esconder sua gagueira. Não confiava nem na própria sombra. Nenhuma mulher o conquistou por completo, por sua secretária Helen Gandy (Naomi Watts) tinha uma pequena admiração. Com sua mãe Anna Marie Hoover (Judi Dench), o amor era do nível edipiano. Quando ela morre, Edgar tem seu mundo desmoronado. Ele até se traveste com um vestido e um colar como se fosse trazê-la de volta a vida. Uma das cenas mais impressionantes, tanto pela dramaticidade quando pela visão de Clint ao deixar o protagonista em uma penumbra com pequenas luzes que revelavam suas dores.J-Edgar-27Out2011-40

Na verdade, quem foi seu braço direito foi Clyde Tolson (Armie Hammer). Uma relação que ultrapassava as paredes do escritório e se tornava uma ligação amorosa. Diferentemente do clichê e das falsas interpretações gays- tanto em cinema quanto em novelas – Eastwood mostra seu olhar sensível como poucos ousariam ter. O beijo entre os dois não é a sequencia que mais evidencia o amor entre os dois.

O lenço entregue por Tolson ou o carinhoso beijo de Hoover na testa de seu companheiro são as maiores demonstrações desse relacionamento que foi descrito como um “amor que não ousa dizer seu nome”; uma livre tradução da frase do poema “Two Lovers”, de Lord Alfred Douglas— “love that dare not speak its name”; uma reflexão de Richard Peña – Diretor de Programação da Film Society do Lincoln Center, NY.

O preto, o cinza e o branco da fotografia dão um tom elegante e belo para as imagens de época. A maquiagem é um caso a parte, o que dizer de DiCaprio vivendo um idoso de 70 anos? Uma encenação que exprime verdade, todas as rugas e o cansaço de uma idade avançada estão lá nas costas de um homem que foi firme em seus objetivos desde o início. Os saltos temporais revelam que o velho e o novo Hoover andaram pelo mesmo caminho.

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J. Edgar é um legítimo herói eastwoodiano. Solitário (Como os antigos westerns), um homem que não esquece o passado no momento de viver o presente (como Walt Kowalski em Gran Torino). Uma característica que o torna clássico e contemporâneo ao mesmo tempo. Um mito no cinema, assim como Hoover um mito na América.

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