HUGO CABRET

 cena-de-filme-hugo-cabret-ambientado-na-paris-dos-anos-30-1323118442507_560x400Quando o nome Martin Scorsese vem à mente filmes envolvendo dramas intensos, gangues, armas, diálogos tensos. Porém, o que o diretor faria com uma história infantil? Apesar de se parecer estranho, A Invenção de Hugo Cabret é puro Scorsese, pois uma de suas principais qualidades estão inseridas em cada cena: o amor e seu conhecimento pela sétima arte.

Na trama, um garoto de 12 anos que vive em uma estação de trem em Paris no começo do século XX. Seu pai, um relojoeiro que trabalhava em um museu, morre momentos quando tentava consertar um autômato sentado numa escrivaninha, com uma caneta na mão, aguardando para escrever uma importante mensagem.

Na Gare du Nord, Hugo vive entre engrenagens, deixando os relógios acertados, controlando o tempo. Solitário, passa o dia com pequenos furtos para se alimentar, foge do inspetor da estação que deseja levá-lo para um orfanato e espia o cotidiano das pessoas que vem e vão da estação. O protagonista simboliza um pequeno Scorsese, que vivia só, com asma, mas sua religiosidade ao cinema o salvou.hugo cabretAo espiar as trivialidades pelas frestas, Hugo relembra Lumière que basicamente retratava essas questões em seus filmes. O trem está lá, aquele mesmo que as pessoas fugiam ao vê-lo se materializar na cena projetada pelo cinematógrafo. O Primeiro Cinema também é explorado com Mélies.

Quem diria que aquele senhor, dono de uma loja de bugigangas, deprimido, interpretado por Ben Kingsley, é o próprio pai do cinema. Mélies quase foi completamente vítima do esquecimento. Seus filmes foram derretidos para virar salto de calçados femininos ou viraram componentes de armas da Primeira Guerra Mundial. Esse percursor foi simplesmente responsável por mais de 500 filmes e construiu o primeiro estúdio cinematográfico da Europa. A trucagem foi sua parceira inseparável, o ilusionismo de suas produções permitiam as pessoas sonharem até de dia. Uma jornada que volta a ser descoberta a partir de Viagem à Lua de 1902.a-invençao-de-hugo-cabret-destaqueAo invadir um cinema nas ruas da cidade luz, pôsteres e a projeção mostram todo amor de Scorsese (e Hugo). Ao longo do filme são feitas homenagens a Harold Lloyd (Trecho de seu curta famoso é exibido em uma sala ou quando Hugo quase cai ao se pendurar em um relógio); A Nós a Liberdade e O Milhão (Ambos de 1931) de René Clair; A Grande Ilusão (1937) e A Besta Humana (1938 – referência clara quando mostra os maquinistas chegando com a locomotiva na estação) de Jean Renoir. ]a-invençao-de-hugo-cabret-still-1O filme é uma maneira de visitar o passado cinematográfico, descobrir ou relembrar de fatos importantes, a intenção é clara quando Hugo vai à biblioteca e lê um livro sobre a História do Cinema. Algo que o próprio Scorsese adorou fazer com Uma Viagem Pessoal ao Cinema Americano. Roteiro que virou livro da série que o diretor idealizou a convite do British Film Institute de Londres, em 1995, para comemorar o centenário do cinema. A série foi exibida em cadeias públicas de TV de todo o mundo. A publicação traduz tanto suas experiências de espectador como sua longa carreira de cineasta, entre pressões dos grandes estúdios e seus próprios anseios artísticos.

 s_MLB_v_O_f_198729587_2799Para Scorsese, os velhos mestres de Hollywood, como John Ford e Vincente Minelli, continuam inspirando caminhos. Ele exemplifica sua tese com análises pontuais de sequências antológicas de dezenas de clássicos de seu país. Examinando a figura do diretor como um “contador de histórias”, Scorsese investiga a gênese do faroeste, do filme de gângster e do musical, dividindo seus colegas de profissão entre “ilusionistas”, “contrabandistas” e “iconoclastas”. Um “livro-aula”, uma homenagem ao cinema, assim como A Invenção de Hugo Cabret.

A filmagem em 3D é uma das melhores, o que justifica a escolha desse recurso tecnológico. As cenas ganham vida, texturas, enfatizam a beleza da junção de cores desse mundo de sonho de Hugo. A fumaça da locomotiva se torna real e ocultam o que está prestes a acontecer. Em tempos em tudo é rápido e superficial, Scorsese consegue realizar uma bela obra ao unir o velho e o novo.

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Uma resposta em “HUGO CABRET

  1. Hugo Cabret merecia o Oscar deste ano, mas sabemos que nem sempre o melhor leva a estatueta. Gosto também de Meia Noite em Paris, mas aí já é outra história…

    Infelizmente perdi a aula sobre Mélies, do Inácio.

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