HOMENS DE SOLAS DE VENTO

Solas B 124Bruno Rudolf e Ricardo Rodrigues vivem viajantes que são obrigados a conviver em um espaço limitado. Sem texto, os atores utilizam técnicas da arte circense para contar uma história que aproxima a vida de dois estranhos

O aeroporto é um local de partidas e chegadas. Entretanto, com as novas políticas de controle, as fronteiras entre alguns países estão cada vez mais fechadas, o que pode gerar problemas com a barreira da alfândega. É nesse universo que dois estrangeiros se deparam. Um encontro de estranhos que aos poucos ganha identificação e une dois mundos completamente diferentes. Entre acrobacias, trapézio, teatro físico e movimentos ora cômicos ora poéticos, o espetáculo Homens de Solas de Vento, da Cia. Solas de Vento chega aos palcos do Teatro Cacilda Becker para temporada a partir de 13 de abril, sexta-feira, às 21 horas.

Sob direção de Rodrigo Matheus – fundador do Circo Mínimo – a dupla de atores, que são circenses e bailarinos, Bruno Rudolf(Prêmio APCA 2011 por A Volta ao Mundo em 80 Dias) e Ricardo Rodrigues, alternam cenas cômicas e momentos imagéticos para contar a história de dois estrangeiros presos na sala de imigração de um aeroporto. Sem uso da palavra, a dupla utiliza técnicas de circo, dança e teatro em uma trama que aproxima a vida desses dois estranhos. “Os atores criaram um espetáculo contundente, imaginativo e belo. Foi muito bacana dirigi-los, eu já os conhecia de outras peças e sabia de suas qualidades”, explica o diretor.

solas B 125“É uma encenação que tem uma multiplicidade de leituras, pode ser um branco e um negro, um europeu ou um latino, qualquer pessoa independente da nacionalidade. Envolve uma relação de convivência, aproximação, brigas, algo que está na vida de todo ser humano”, diz Bruno Rudolf.

Ricardo Rodrigues comenta um dos diferenciais do espetáculo. “O circo desenha muito bem as cenas, o corpo tem uma clareza na hora de passar informação, ganha até um lado cartunesco com as movimentações no palco.”

Música e iluminação também interferem em cena ao simbolizar um órgão de vigilância que verifica se os dois homens estão se comportando nessa sala isolada. A trilha sonora foi composta originalmente para a peça por Marcelo Lujan, integrante do Circo Amarillo e do Circo Zanni. Algumas músicas foram criadas ao vivo em cima da movimentação dos atores na sala de ensaio. Outras, encomendadas para expressar características de cada personagem e exprimem sentimentos como medo, frio, estranhamento, calor, encontro, solidão ou nostalgia. Os sons foram tirados de instrumentos como acordeão, pandeiro, piano, guitarra, baixo, violão e passam por ritmos como valsa, bossa, entre outros.

Ao longo do espetáculo, são utilizadas trilhas incidentais que se encaixam perfeitamente com as notas musicais, como, por exemplo, sons de goteiras, de avião, de vento, das portas das salas administrativas. Para Rudolf, o argentino Lujan usa sua própria experiência de “estrangeiro” para criar um universo musical próprio. São canções que trazem emoção na condução da jornada desses dois homens.

solas B 097Um mundo dentro da mala

Durante a peça, impossibilitados de seguir seus caminhos, os personagens tentam se instalar contando apenas com uma mala, cada um. Um recurso que abre um universo cheio de imaginação com adereços cênicos e coloridos ao fazer a composição do cenário.

Os elementos enchem os espaços vazios e se transformam, abrindo possibilidades para a encenação aérea com trapézio, rede e objetos como roupas, plantas, livros, quaisquer itens que tragam valor afetivo para os personagens. “O público vai se impressionar com a mala que dispõe de várias alternativas para serem usadas em cena. Uma surpresa a cada momento”, diz Ricardo Rodrigues.

Uma curiosidade, as malas sólidas de madeira foram feitas pelos pais dos atores. Algo que acrescentou um caráter ainda mais íntimo ao espetáculo. “Esse aspecto tem a ver com a partida de casa, suas raízes, o local que lhe traz identidade”, explica Rudolf.

Na composição de figurino, calças e sapatos ganham cores e modelos iguais para os atores. Um recurso que deixa a plateia se perguntando quem está no comando dos movimentos quando ambos interagem na hora das acrobacias. Ocasião que simboliza a troca de experiências entre eles e a disponibilidade para conhecer um mundo novo.

Entrosamento

Homens de Solas de Vento não é a primeira parceria de Bruno Rudolf e Ricardo Rodrigues. Os espetáculos Os Perdidos e A Volta ao Mundo em 80 Dias (que faturou os Prêmios APCA 2011 de direção para Carla Candiotto e de melhor ator para Bruno Rudolf)também fazem parte do repertório da dupla que tem como marca registrada o lado circense aliado com o tema viagem.

“Bruno e Ricardo têm uma química inesquecível de trabalho, da dedicação  à pesquisa, dos incontáveis litros de suor gastos na experimentação e ensaios. Foi muito legal dirigi-los, pois os dois têm a linguagem que eu mais adoro, a linguagem do corpo expressivo, que permite contar histórias de forma poética e muda, sem as palavras”, afirma o diretor.

O trabalho contínuo gerou um entrosamento entre os atores. “Esse tipo de teatro físico com que lidamos precisa de uma preparação, porém esse trabalho envolvendo o corpo é algo que está inserido em nosso cotidiano de forma natural, faz parte das nossas vidas”, conta Rudolf.

A temporada é apresentada pela Usiminas e tem co-patrocínio da Te Connectivity e apoio da Razzo. Um projeto aprovado pelo Governo do Estado de São Paulo, Secretaria de Estado da Cultura e Programa de Ação Cultural 2011.solas B229Sobre Cia Solas de Vento

Ao conhecerem suas criações individuais, Bruno Rudolf e Ricardo Rodrigues identificaram uma prática semelhante e um olhar sobre o fazer teatral. Nas criações do duo, as habilidades acrobáticas e a dança, aliadas ao preparo do ator, oferecem novos recursos ao ator de contar uma história. Dessa simbiose de possibilidades corporais nasce uma única linguagem plural, em que o corpo é motor da dramaturgia. Os artistas trabalharam em parceria com as companhias Circo Mínimo, Cia. Druw, Linhas Aéreas, Núcleo de Artérias e com os diretores Francisco Medeiros, Cristiane Paoli Quito e Carla Candiotto.

Ricardo Rodrigues

Graduado em Artes Cênicas pela Universidade São Judas Tadeu, em São Paulo. Vem atuando em espetáculos que aliam o teatro e a dança às técnicas circenses desde 1999, especialista em técnicas aéreas.

Bruno Rudolf

Bailarino, formado pelo Conservatório de Dança de Mulhouse (França), reside no Brasil desde 2001. Ainda na França, estudou teatro físico, mímica clássica e técnicas circenses (acrobacia e malabarismo). Em solo brasileiro, se especializou em técnicas aéreas e estudou palhaço. Vencedor do Prêmio APCA 2011 por A Volta ao Mundo em 80 Dias.

PARA ROTEIRO:

HOMENS DE SOLAS DE VENTO Reestreia dia 13 de abril, sexta-feira, às 21 horas, no Teatro Cacilda Becker. Criação e Atuação: Bruno Rudolf e Ricardo Rodrigues. Direção: Rodrigo Matheus. Trilha Sonora: Marcelo Lujan. Iluminação: Douglas Valiense e Maria Druck. Orientação de Arte: Luciana Bueno. Orientação Circense: Erica Stoppel. Orientação Coreográfica: Adriana Grecchi. Orientação Técnica: Alex Marinho. Operação de luz: Maria Druck. Operação de Som: Luana Alves. Produção: Aymberê Produções Artística LTDA. Gestão Cultural: Doble Cultura + Social. Programação Visual: Sato – casadalapa. Duração: 60 minutos. Temporada: Sextas e Sábados às 21hs e Domingos às 19hs. Atenção – Haverá sessões grátis dias 3 e 10 de maio, quinta-feira, às 21h. Temporada: Até 20 de maio. Preço: R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia).Classificação: 12 anos. Capacidade: 198 lugares.

TEATRO CACILDA BECKERRua Tito, 295 – Lapa – São Paulo. Telefone – (11) 3864-4513. Bilheteria: Terça a domingo, das 14h às 19h30. Em dias de espetáculo, a bilheteria funciona até 20 minutos após o início da sessão. Tem ar condicionado. Tem acesso para deficientes físicos.

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