PULP FICTION

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– Quer toucinho?
– Não.
– Por quê? Você é judeu?
– Não,… Só não como porcos.
– Por que não?
– Porcos são animais imundos.
– É, mas toucinho é ótimo, bacon também.
– Rato de esgoto pode ter gosto de torta de abóbora que eu não vou comer o miserável. Porcos dormem, comem e vivem na merda.
Eu não como nenhum animal que não saiba distinguir alimentos das próprias fezes.
– Cachorros comem as próprias fezes.
– Também não como cachorros.
– Sim, mas você considera cachorro um animal imundo?
– Não diria que são imundos, mas são definitivamente sujos. Mas cachorros tem personalidade, e personalidade conta muito.
– E se fosse um porco com personalidade?
– Teria que ser um porco bem charmoso. No mínimo 10 vezes mais charmoso que o Gaguinho.

pulp-fiction1Um diálogo despretensioso, parece sem importância, mas não para os filmes de Quentin Tarantino. São momentos de digressão que antecedem uma cena crucial, como Jules Winnfield (Samuel L. Jackson) e Vincent Vega (John Travolta) em um bate-papo sobre hambúrguer antes de emplacar uma das ações a mando de seu chefe Marsellus Wallace (Ving Rhames).

Como diria o próprio de Samuel L. Jackson, vamos interpretar nossos papeis. Uma frase que resume bem a atmosfera de umas sequências mais importantes. Os dois entram em um pequeno apartamento, fazendo uma espécie de interpretação da interpretação, incorporando novas personas.pulp-fiction“O caminho do homem justo é rodeado por todos os lados pelas desigualdades do egoísmo e da tirania dos homens maus. Bem-aventurado aquele que, em nome da caridade e da boa vontade, pastoreia os fracos pelo vale das trevas, pois ele é verdadeiramente o guardião do seu irmão e o descobridor das crianças perdidas. E derrubarei sobre ti, com grande vingança e furiosa raiva, aqueles que tentam envenenar e destruir meus irmãos. E você saberá que o meu nome é Senhor quando eu derramar minha vingança sobre você.” (Discurso bíblico do personagem de Samuel L. Jackson antes de atacar).

VDRVG00ZNão existem duelos nas cenas de ação, os ápices podem acontecer a qualquer momento. Quando alguém está banheiro, a espera do semáforo abrir ou em momento descontraído em uma lanchonete. Nessa narrativa circular em Pulp Fiction, o diretor retrata um mundo insano, uma verdadeira ancestralidade expurgada a cada tomada. Além de trazer John Travolta de volta ao cenário Hollywoodiano de destaque, fato que ele sabe fazer muito bem. Kurt Russel que o diga, bem que Nicolas Cage poderia entrar no mesmo caminho.

O filme quebra a habitual narração cronológica e investe em tramas que se interligam. De alguma forma, as demências e loucuras do mundo estão todas ali. As trivialidades não deixam de dominar a encenação, como se elas predominassem nas vidas de qualquer um.

“Não odeia isso? O quê? Os silêncios que incomodam. Por que temos que falar de idiotices para nos sentirmos bem? Não sei. É uma boa pergunta. É assim que sabe que encontrou alguém especial. Quando pode calar a boca um minuto e sentir-se à vontade em silêncio.” (Palavras de Mia Wallace (Uma Thurman)). pulp fiction dinerComo Tarantino é um cinéfilo desenfreado, várias de suas influências não poderiam faltar.A cena em que Marsellus atravessa a rua na frente do carro de Butch (Bruce Willis), reconhecendo-o, lembra a cena em que o chefe de Marion Crane a vê no clássico de Hitchcock Psicose. Já sequência de dança entre Vincent Vega e Mia Wallace no Jack Rabbit Slim’s, a primeira vista, parece a performance de John Travolta como Tony Manero em Os Embalos de Sábado à Noite. Todavia, o diretor se inspira em uma sequência de Bande à Part, longa de Jean-Luc Godard de 1964. Cineasta famoso por suas digressões e quebra na ordem cronológica dos fatos.

Pulp Fiction quebra os padrões, por isso o longa continua vivo e pulsante. Características indispensáveis nos filmes e personagens de Quentin Tarantino.

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