SIX FEET UNDER

nate-and-claire600full-six-feet-under-posterTraduzida no Brasil como A Sete Palmos, a série terminou em 2005, porém para este blogueiro foi terminar somente no ano de 2012. Certas coisas tem a hora certa para se conhecer e o seriado veio no momento mais apropriado. Em uma época em que se anseia tanto por um novo Lost, deveriam procurar por um novo Six Feet Under. Poucas produções conseguiram representar a vida com tanta verdade em suas histórias.

A trama acompanha a vida da família Fisher, proprietária de uma funerária, a qual é mantida no andar térreo e no porão da casa onde vive. Quando o patriarca Nathaniel (Richard Jenkins) morre em um acidente de carro, seus familiares passam pelo difícil processo de adaptação e reorganização de suas vidas. Quando os tubos da área de embalsamento não funcionam de forma correta, os fluídos corporais dos mortos vazam pelo encanamento da residência. É como se a morte estivesse batendo na porta dessa família a todo momento, mesmo quando os Fisher não estavam com a cabeça no trabalho.

Essa questão de vida/morte poderia muito bem tratar com aquele viés de superação, usado de maneira caricata e exaustiva. Porém, a trama de Alan Ball resolveu captar a vida como ela é. Personagens em conflito, ninfomaníacos, esquizofrênicos, drogados, atos cheios de decepções, frustrações, loucuras, dores, sexo, felicidade, humor, segredos, morte, vida. Aqueles momentos em que criamos um flash em nossas cabeças com o que gostaríamos de ser, viver ou fazer. Tudo está ali nas cenas dessa produção espetacular.

brotherhood-1024A viúva Ruth (Frances Conroy) tenta manter a vida como era antes, mas começa a pensar no tempo perdido, dos sonhos que não viveu, uma amargura que pendura, nem mesmo a experiência da matriarca Fisher consegue dar um atalho ou um conforto na hora de encontrar a trilha certa. Nem o trabalho na floricultura a alegrou, pois seus arranjos eram mais para velório do que para qualquer outra ocasião.

David (Michael C. Hall) sempre apostou no seu lado metódico, a morte como negócio foi seu lema, com o tempo ficou mais humanizado, lutou com suas fraquezas emocionais, perdendo e ganhando, principalmente por influência de Nate. Six Feet Under também revolucionou na questão da abordagem homossexual, principalmente por já fazer isso no começo do século XXI. Fato que ainda é um tabu e colocado de um jeito conservador na televisão brasileira. David e Keith (Mathew St. Patrick) cairão no gosto do público e formaram um dos melhores casais da trama.sldiersixfeetunder

Six Feet Under
Rachel Griffiths and Peter KrauseBrenda Chenowith (Rachel Griffiths) e seu relacionamento com Nate foram um dos mais complicados. Suas loucuras ocuparam a maior parte da vida, quando decidiu se tornar uma mulher de “família” percebeu que essa normalidade impulsionada pelas convenções sociais não tinham nada de normal. Não pode esquecer-se de Frederico (Freddy Rodriguez), que maquiava a morte ao deixar os corpos dos clientes da Fisher & Diaz com uma bela aparência.

Já Claire (Lauren Ambrose) que ficou sem rumo após a morte do pai, passou pelas inseguranças, rebeldia, conflitos internos e artísticos. Ia para todo lugar com o veículo antigo herdado do patriarca, um carro funerário, como se a morbidez a perseguisse para qualquer lado. Mas, ela se tornou referência e carregou o legado da família, em frente em busca de algo novo, arriscando, podendo até dar tudo errado.

 peter_krause_01Nathaniel (Richard Jenkins) foi embora no episódio piloto, mas sempre estava por perto dos membros de sua família. O personagem foi o estopim para uma reflexão dos Fisher em si, o mote para todos se reunirem e organizarem uma nova etapa. Mesmo após sua partida, sua vida ainda traz respostas e muitas perguntas. Vale ressaltar o episódio The Room da primeira temporada. Quem era realmente Nathaniel? Será que conhecemos totalmente aqueles que estão ao nosso lado? Ele sempre aparecia para dar conselhos, um novo ponto de vista para seus familiares enfrentarem o caos.

Nate: O que devo fazer?

Nathaniel: O que você acha? Você pode fazer qualquer coisa. Você está vivo!

someone-elses-eyes-1024E o que dizer de Nate (Peter Krause)? Talvez foi o personagem que mais fugiu da morte. O primogênito renegou o negócio da família, foi ganhar a vida em Seattle. Todavia, depois de lutar contra esse destino, foi obrigado a administrar os negócios com David. O clima Business da Fischer & Diaz o incomodava, era tudo muito limpo. Ele preferia a terra, sem produtos químicos, sem maquiagem para ocultar a realidade, assim era mais verdadeiro. Apesar das suas escapadas, a morte sempre o perseguia nos velórios do seu trabalho, em seu cotidiano. Nas festas nada se encaixava, as cortinas não escondiam os problemas, nem as armadilhas que a vida insistia em lhe pregar.

Six Feet Under estreou no ano do 11 de setembro. Uma temporada difícil para os Estados Unidos e para o mundo. Cada episódio que os Fisher enterravam uma pessoa, estavam ajudando os familiares das vítimas dos atentados a seguir em frente ao mesmo tempo.Six_Feet_Under__Everything_End_by_Feel_My_Mind“É curioso que as pessoas usem a expressão ‘vida e morte’. A morte não é o contrário da vida, mas sim do nascimento. A vida não tem contrário”. Frequentemente tratado de forma negativa, a série mostrou que a morte é uma espécie de renascimento, algo faz todos refletirem sobre si e os rumos que devem tomados. Ou seja, é mais uma etapa de um negócio chamado vida.

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