MARIA MISS

Maria-Miss-4A poeira avermelhada sobe do chão batido de terra seca num vilarejo escondido entre as montanhas. A geografia mineira conduz a história de Maria Miss, sertaneja sensível e sonhadora que, quando menina, teve a virgindade negociada pelos pais com um dos membros da família Lopes. Adaptação inédita de Evill Robouças para o conto Esses Lopes (publicado no livro Tutaméia), de João Guimarães Rosa, o espetáculo está, no Teatro Eva Herz, com direção de Yara de Novaes. A pré-estreia para convidados é dia 23 de maio, quarta-feira, às 21 horas.

O projeto é idealizado por Tania Casttello, que atua ao lado dos atores Daniel Alvim e Cacá Amaral (destaque na minissérie O Brado Retumbante), como ator convidado. Cenários e figurinos são de Márcio Medina e a luz, de Wagner Freire. A montagem é da Mesa 2 Produções, empresa que já produziu Noites Brancas e O Caminho para Meca, ambas com direção de Yara de Novaes.

A peça estreia em maio, “quero bem a esses maios, o sol bom, o frio de saúde, as flores no campo, os finos ventos maiozinhos” (trecho de Grande Sertão:Veredas), nos 45 anos da morte de Guimarães Rosa (1908-1967) e do lançamento do livro Tutaméia. Esses Lopes é o primeiro conto do escritor mineiro sob o ponto de vista feminino. A história gira em torno de Flausina, que desejava se chamar Maria Miss, uma espécie de “heroína torta”, que narra, por meio de suas lembranças, sua trajetória a partir de quando seu destino se cruza com o dos irmãos Lopes.  Cacá Amaral e Daniel Alvim dobram os papéis para viver os quatro irmãos e um primo da família Lopes.

Ambientado no sertão mineiro na década de 60, Guimarães Rosa recria a linguagem regional de forma extremamente elaborada. Evill Rebouças observa que a narrativa de Guimarães Rosa possibilita infinitas leituras poéticas, contudo na adaptação para o teatro foi importante uma recriação a partir do seu ponto de vista. “O belo no conto de Guimarães Rosa é o modo como ele mostra o silêncio de uma mulher subjugada. Maria Miss sofre as piores atrocidades físicas e morais, mas no seu silêncio ela traça a liberdade”, comenta.

PRE ESTREIAA paixão por Guimarães Rosa motivou a atriz Tania Casttello, idealizadora do projeto, a montar o espetáculo. “O conto fala de uma mulher que transformou seu destino, como tantas brasileiras. E isso me encanta. Guimarães Rosa é um gênio da palavra, ainda muito pouco conhecido pelo povo”, justifica.

Na obra de Guimarães Rosa, o sertão não se limita ao espaço geográfico, mas simboliza o próprio universo. O sertão criado por ele é uma realidade geográfica, social, política, mas também é uma realidade psicológica e metafísica. Seu processo narrativo, geralmente concentra-se em torno de “casos” que sustentam os enredos.

Maria Miss relembra sua vida e de como fez para se livrar de cada um dos Lopes, mas não revela pesar, piedade ou remorso pelos amantes mortos nem amor pelos filhos. Ao contrário, vangloria-se de ter dado cabo de toda a família, bem como de ter mandado os filhos para longe. “Todo mundo vive para ter alguma serventia. Lopes, não! – desses me arrenego.”

Embora sua vingança seja justificada Maria Miss incorpora a maldade – tão perigosa ou mais que qualquer jagunço –, utilizando-se de estratégias sem confrontar diretamente seus oponentes.  “Ainda criança ela foi vendida pelos pais para um dos Lopes, foi estuprada e colocada para tomar conta da casa, ou seja, feita escrava, o que é muito comum no sertão. Ela decide mudar essa historia e usa de tudo que uma mulher tem nas mãos para fazê-lo. No fim, encontra o  amor em um jovem sensível, mas as marcas da sua vida continuam com ela”, analisa a atriz Tania Casttello.MARIA MISS 2 - DNGO cenário, concebido por Marcio Medina, foi pensado a partir do universo essencial que Guimarães Rosa e seus personagens carregam. Uma lona no chão remete ao chão batido de terra, e a ação se passa em cima e em torno dela. Para dar a ideia de terra seca, o cenógrafo utiliza um material chamado vermiculita, pó orgânico usado para cobertura de solo no campo. Ao fundo, um sol construído de papel tyvek (resistente, com propriedades termo-acústicas, permitindo translucidez e dobraduras) delimita a passagem de tempo.

MARIA MISS – no Teatro Eva Herz.

Direção: Yara de Novaes.
Conto: Guimarães Rosa.
Adaptação: Evill Rebouças.
Elenco: Tania Casttello, Daniel Alvim e Cacá Amaral.
Cenografia e Figurinos: Márcio Medina.
Direção Musical: Rodrigo Mercadante.
Iluminação: Wagner Freire.
Direção de Produção: Mesa2 Produções Artísticas.
Duração: 75 minutos.
Classificação indicativa: 14 anos.
Temporada: Terças e quartas às 21 horas. Até 25 de julho.
Ingressos: R$30,00.

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