MORANGOS SILVESTRES

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Um dos maiores filmes de todos os tempos, uma obra prima de Ingmar Bergman, uma história que trata de algo cotidiano e de forma simplista, a vida. O professor Isak Borg (Gunnar Björnstrand) viaja de carro para uma universidade para receber uma homenagem, uma celebração de 50 anos dedicados a medicina. Um velho teimoso, cercado de suas manias, que tem a cia de sua nora Marianne (Ingrid Thulin) nessa viagem.

Poderia ser uma jornada qualquer, porém o protagonista sente que a morte está próxima e faz uma avaliação de seu passado, de suas alegrias e tristezas, de suas experiências nostálgicas e melancólicas. Na trilha, Borg encontra a casa antiga de verão, onde seus familiares passavam as férias. O local parece preservar as memórias, o gosto dos morangos silvestres preserva o frescor de uma juventude que não volta mais.Um verdadeiro road movie.

morangossilvestresAlém dos lugares, o personagem encontra pessoas que o fazem relembrar de suas próprias vivências. Uma jovem chamada Sara está viajando com dois amigos rumo à Itália, e os três pegam uma carona com o professor. Logo depois, ele também dá uma ajuda a um casal briguento que conheceu em acidente na estrada.

Smultronstället (2) (Bergman)O primeiro trio traz a tona o fato de Borg ter perdido o amor de sua prima Sara para seu irmão Sigfrid. O casal o faz reviver as brigas com sua finada mulher e a entender o porquê de Marianne fugir de seu marido. As lembranças continuam mais vivas do que nunca, mas Borg não é mais o mesmo. Ele está velho, não pode voltar no tempo. Em um dos seus flashs, Sara esbanja beleza perto dos morangos silvestres espalhados pelo jardim. Ela mostra o espelho que reflete um Isak idoso, um homem que remoei o passado, na verdade ele sempre remoeu.

Nossa relação com as pessoas consiste em discutir com elas e criticá-las. Foi isso que me afastou, por vontade própria, de toda minha vida social. Isso tornou minha velhice solitária.

É possível que eu tenha ficado sentimental. Talvez estivesse cansado ou nostálgico, e me sentia um pouco triste. Foi então que percebi que pensava em coisas que estavam ligadas à minha infância. Não sei como isto aconteceu, mas a luz do dia clareou mais ainda as imagens das lembranças que passavam perante meus olhos com toda a força da realidade.

morangosmulhollandclBorg se vê andando por um trecho desconhecido da cidade, onde os relógios não têm ponteiros, e uma carruagem carrega o caixão onde ele mesmo está deitado. E o que dizer desses sonhos? Bergman cria um universo paralelo ao enfatizar o jogo do preto e do branco. Ao misturar realidade e devaneios, a trama enfatiza as relações anteriores e as que estão por vir na vida do personagem.

O cineasta escolheu um homem e uma história comum, nada de características ultrajantes, algo que está inserido em qualquer ser humano. Uma atitude mínima que acrescentou o caráter universalista da obra de Ingmar Bergman.

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