VELHO OESTE BR

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LMAPIÃOO Velho Oeste era uma terra sem Deus, onde predominavam as ações do homem, um lugar que criava e tinha seus próprios deuses supremos, responsáveis por dar as rédeas em cada canto.
Nesse cenário, estava Liberty Valance, um verdadeiro ícone do Western, onde sua morte ditou novos rumos para o mundo em O Homem Que Matou a Facínora, clássico de John Ford de 1962.
O mesmo ocorre com o livro em Os Homens que Mataram O Facínora, de Moacir Assunção. A publicação troca o Velho Oeste pela caatinga e ao invés de passar pela vida do personagem de Lee Marvin, o escolhido é Virgulino Ferreira da Silva, O Lampião.
lampiao-211x300Assim como a região dos filmes do faroeste americano, o deserto árido do Nordeste Brasileiro funcionava de forma diferente do restante do país. Área de feudos e de dominação de coronéis, os gângsteres não usavam terno e gravata, utilizavam farda cheia de símbolos e amuletos. Tinham ações que ultrapassavam as questões mundanas, Lampião era um desses símbolos, toda sua vida viveu fugindo de um lado para outro, foram criados mitos ao redor de seus triunfos que pareciam não ter fim. Esse personagem possuía uma religiosidade em grande escala e acreditava que essa devoção o mantinha com o corpo fechado contra as ações dos inimigos, suas táticas eram de uma verdadeira guerrilha, além de ser metódicas.
Em sua jornada não poderiam faltar inimigos, pessoas com olhares fulminantes quando o nome do Rei do Cangaço era citado. O livro descreve cada um deles, as batalhas, as brigas de facas, fatos curiosos, entrevista de personagens que tiveram ligação direta com um dos maiores fenômenos do banditismo da história brasileira.
(…) Além de orações católicas, entretanto, o líder cangaceiro se valia da “reza forte”, que acreditava ter o poder de mantê-lo invisível diante dos inimigos, infundindo terror a estes e ânimo aos seus comandados, que, como ele, humilde sertanejos também acreditavam nos ritos de uma religião medieval. A mais conhecida delas era usada para “fechar o corpo”, ou seja, não permitir que os tiros e golpes de punhal dos “macacos” o atingissem (…).
libertyO grupo de Lampião era precursor, enquanto usava munição e armas novas em folha, as volantes só podiam se gabar de armamentos de segunda mão ou ultrapassados. Uma ação comum nos dias atuais se for comparar com o crime organizado que assola as grandes metrópoles. A façanha de Virgulino é comparada com célebres nomes do mundo do crime como Al Capone, Dillinger, Buth Cassidy, chefe das máfias italianas, entre outros.
(…) Quase sempre sério e compenetrado, grave como todo sertanejo, Lampião também tinha humor, mesmo quando se referia aos mais acérrimos inimigos. Em uma conversa com moradores de Tucano (BA), enquanto tomava cerveja em 1928, soltou a seguinte frase de efeito, na verdade mais uma pérola de humor negro: “Quando cubro um macaco na mira do meu rifle, ele morre porque Deus quer; se Deus não quisesse, eu errava o alvo…”, explicou, com ar sério, em meio às gargalhadas dos interlocutores (…).
O trabalho de Moacir Assunção é uma luz sobre um assunto que é tratado de forma rápida ou sem nenhum aprofundamento, um buraco negro na história brasileira. Não importa de onde vinha o disparo, o povo nordestino ficou em uma posição desfavorecida, ou era pressionado pelas tropas do governo ou pelo bando de cangaceiros, ambos os lados cometiam atrocidades em busca de benefício próprio. A morte de Lampião determinou o fim do cangaço e trouxe novos leis para o Nordeste, assim como a fim de Liberty Valance determinou um novo Velho Oeste e uma nova vida para Ransom Stoddard (James Stewart).
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