RESTROSPECTIVA MOSTRA II

Um clássico faroeste, uma obra-prima das arábias, um Não a Pinochet, além de um filme póstumo.

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Sergio Leone elevou os faroestes para o nível de batalhas épicas, conferir Era Uma Vez No Oeste (1968) em tela grande é a maneira correta de notar todos os detalhes desse grande clássico do cinema. Na trama, Jill (Claudia Cardinale) é uma ex-prostituta de New Orleans que largou a vida na cidade grande para casar com Brent McBain (Frank Wolff), um sonhador dono de uma propriedade no meio do nada, viúvo e pai de três lindas crianças. Quando Jill chega à fazenda “Água Doce”, encontra uma chacina realizada na sua nova família pela posse das terras da família, que em breve será caminho de uma importante ferrovia.

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Em seu caminho, aparece um desconhecido (Charles Bronson) com uma gaita, ele é um exímio pistoleiro que tem contas a acertar com Frank (Henry Fonda), chefe do massacre. O lado cômico fica por conta de Cheyenne (Jason Robards), que apesar de assassino, tenta provar sua inocência na onda de assassinatos.

O silêncio, o vento que faz esvoaçar os sobretudos dos pistoleiros, a música de Ennio Morricone, o suspense e a posição geométrica dos duelos, todos os ingredientes de um verdadeiro Spaghetti Western de Sergio Leone. O personagem de Charles Bronson esconde sua identidade como Clint Eastwood na trilogia dos dólares. A verdade aparece de forma fragmentada em flashbacks que dão um sentido no desfecho da história.O longa é diferente do westerns que simbolizam a conquista do oeste, além de ser um subgênero, retrata a chega da ferrovia, o progresso, um dos motivos que selou o fim do bang bang americano.

lawrence-of-arabia2LAWRENCE DA ARÁBIA

Antes de presenciar a exibição desse épico em tela grande, a música de Maurice Jarre enche o cinema que permanece todo no escuro para anunciar a chegada da obra-prima de  David Lean: Lawrence da Arábia (1962). O filme se baseia na biografia de T.E. Lawrence (Peter O’Toole), descrita no seu livro Sete Pilares da Sabedoria. 

A história se passa em 1916, em plena I Guerra Mundial. Nesse cenário, um jovem tenente do exército britânico está estacionado no Cairo pede transferência para a península arábica, onde vem a ser oficial de ligação entre os rebeldes árabes e o exercito britânico, aliados contra os turcos, que desejavam anexar ao seu Império Otomano a península arábica. Lawrence, admirador confesso do deserto e do estilo de vida beduíno, oferece-se para ajudar os árabes a se libertarem dos turcos. O filme mostra quatro episódios principais da vida de Lawrence durante a sua estada na Arábia: A Conquista de Aqaba; O Seu Rapto e Tortura pelos Turcos em Deraa; O Massacre de Tafas; e o Fim do Sonho Árabe de Damasco.

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O uniforme militar nunca coube em Lawrence, a roupa não se ajustava como se já demonstrasse que ele não pertencia àquele lugar. Ele fica a vontade somente quando recebe em mãos os trajes árabes. Fica confortável no deserto, montado no camelo, como se o povo árabe fosse seu verdadeiro povo. Com uma das melhores fotografias de todos os tempos, principalmente quando o sol era o protagonista, o longa faz um peregrinação na vida do personagem principal. Uma trama recheada de descobertas, êxtase, loucura e melancolia. Um épico, um clássico, na lista dos melhores filmes da história.no-pablo-larrain-gael-garcia-bernal-exclusive-image-1NO

Ditadura Militar, perseguições, a luta pela democracia, temas usados de maneira degastada e didática pelo cinema latino americano. Fatos que contribuem para a construção de obras chatas e com teor de propaganda política. Contudo, NO mostra que existe uma maneira de trabalhar com o tema, sem cair nos clichês banais.

O filme de Pablo Larraín se passa em 1988, o ditador chileno Augusto Pinochet, diante da pressão internacional, convoca um referendo sobre o seu mandato. Os líderes da oposição convencem o jovem publicitário René Saavedra (Gael García Bernal) a liderar sua campanha. Com poucos recursos e permanente vigilância dos guardas de Pinochet, Saavedra e sua equipe criam um audacioso plano para vencer a eleição e libertar seu país da opressão.

“Este comercial está inserido em um contexto social. Hoje o Chile é um país que pensa no futuro.” Era assim que Saavedra começava a apresentação da propaganda de um novo produto, a mesma maneira que ele procura inserir ao criar a campanha do NO. Focalizar nas opressões do regime totalitário não é o caminho, é preciso mostrar que o NO é legal, como a Coca-Cola também é. Essa mentalidade causa um choque com o grupo “Anti- Pinochet”, eles temem que os seus sofrimentos fossem esquecidos nessa nova luta.O diretor optou por utilizar o U-matic, suporte em vídeo no qual eram feitas as reportagens de televisão. Caráter que deu uma cara mais oitentista para as filmagens.

René Saavedra não é um daqueles personagens símbolos de luta pela democracia, não fica gritando frases de efeito, levantando bandeira em sinal de protesto. Bernal dá vida a um homem que é filho de militante e viveu exilado no exterior. Seu maior objetivo é reunir a família, sua mulher é militante, sempre está trancada em uma prisão.

photo-La-Nuit-d-en-face-La-Noche-de-enfrente-2011-3-e1343325615300La_noche_de_enfrente-804677218-largeLA NOCHE ENFRENTE

Um trabalhador próximo de se aposentar revive suas memórias, tanto as reais quanto as inventadas. Esse é o caminho principal para o filme póstumo de Raoul Ruiz. Don Celso (Sergio Hernandez) é um senhor à beira da aposentadoria, mas não é só o trabalho, ele vai se retirar da vida. Ao invés de uma cronologia convencional, o diretor chileno optou por recortes, uma miscelânea de imagens entre passado, presente e futuro, aliado com realidade e ficção, ou simplesmente os dois juntos.

O protagonista trilha uma passagem que passa por lembranças e heróis da infância, seja na música ou na literatura. Permeia a vida de pessoas que estiveram em seu cotidiano. Uma mistura de poesia e lirismo, como se toda vida de Don Celso passasse em frente aos seus olhos. Um purgatório, imagens em tom pastel dão vida a sonhos e a pura imaginação. Onde a vida começa? Onde existe um fim? Será que há respostas para essas perguntas? Não importa se seja Don Celso criança, adulto ou velho, a morte, a vida, o sonho foram cia de todos eles.

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Philip (Pierce Brosnan), um inglês morando na Dinamarca, é um viúvo solitário de meia-idade e pai solteiro. Ida (Trine Dyrholm) é uma cabeleireira dinamarquesa, recuperando-se de uma quimioterapia, que acaba de descobrir que seu marido vai deixá-la por uma mulher bem mais jovem que ele. Os destinos dos dois se aproximam com a chegada do casamento dos filhos.

A trama da dinamarquesa Susanne Bier se passa em uma ilha paradisíaca, um filme que poderia ser entorpecido por todos os clichês dos filmes de relacionamento. Todavia, a história toca em questões duras envolvendo a doença da protagonista e um caso de homossexualismo.

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