SE VOCÊ NÃO MORRER, EU TE MATO!

tumblr_m8l0snBUxF1qf7r5lo1_r1_1280big_red_one_xlgSamuel Fuller (1912-1997) foi rotulado de comunista, anarquista, direitista, fascista, primitivo, belicista, iconoclasta, gênio. Independente como poucos, escrevia, produzia e dirigia. Fez filmes violentos e subversivos que recriavam uma fluência jornalística, combinando personagens marginalizados pelo cinema hegemônico, situações limítrofes e temas sociais para travar um embate ético e moral com a sociedade americana pós-Segunda Guerra Mundial.

Com curadoria de Julio Bezerra, Samuel Fuller: Se você morrer, eu te mato! é uma retrospectiva integral dedicada a um dos cineastas mais importantes da história do cinema, com seus 24 filmes dirigidos ao longo de 40 anos, entre eles obras-primas como Anjo do Mal (Pick up on South Street, 1953), Paixões que Alucinam (Shock Corridor, 1963), O Beijo Amargo (The Naked Kiss, 1964) e o polêmico Cão Branco (1982), engavetado pela Paramount e nunca lançado nos cinemas americanos, episódio que levou Fuller a mudar-se para a França. A mostra também inclui dois documentários sobre o grande cineasta.

Crítico feroz do cinema hollywoodiano – que para ele era sinônimo de cinema não adulto –, Fuller fazia filmes baratos que lançavam mão de gêneros comerciais, arrecadavam dinheiro, mas eram ao mesmo tempo desprezados. Poucos realizadores sintetizaram o perfil do cineasta maldito e iconoclasta como ele, sempre com um charuto na boca e pronto para a briga quando o assunto era sua independência.bscap013Um cineasta formado na guerra

Nascido em 1912 em Worcester, Massachussets, Fuller era filho de pais judeus vindos da Rússia e Polônia. Seu trabalho como repórter policial introduziu-o ao submundo das prisões e execuções, ensinando-o a escrever sem adjetivos. Lutou na Segunda Guerra Mundial como um soldado do Exército americano, na divisão conhecida como “The Big Red One”. No fim da Guerra, o pelotão de que fazia parte invadiu o campo de concentração de Falkenau, na Tchecoslováquia. Fuller havia ganhado da mãe uma câmera 16mm. Seu capitão lhe ordenou que filmasse as imagens do campo. Foi seu primeiro filme.

Desde então, ele esteve interessado pelo outro lado da história, sempre, como disse certa vez Inácio Araújo, “entrando pela porta dos fundos”. Seus filmes têm um aspecto retorcido e turbulento, pouco otimista e nada glamouroso. Sua estreia, um western, Eu Matei Jesse James (1949), não conta a história do famoso pistoleiro, mas acompanha Bob Ford, o amigo que atirou nele pelas costas.

Bob Ford não está sozinho. A ele juntam-se outras figuras do submundo, como o Skip McCoy de Anjo do Mal (1953) e Tolly Devlin de A Lei dos Marginais (1961), além de outsiders como a descendente de chineses Angie Dickinson de No Umbral da China (1957) ou o policial nissei de O Quimono Escarlate (1958). Além deles, somam-se os repórteres amorais, detetives infiltrados, prostitutas regeneradas de Casa de Bambu (1955), Paixões que Alucinam (1963) e Beijo Amargo (1964).shockcorrdior3Wenders, Spielberg e Godard

Samuel Fuller tornou-se herói para toda uma geração de cineastas, convidado para atuar em filmes como O Amigo Americano (1977), de Wim Wenders, 1941 (1979), de Steven Spielberg, e Pierrot, Le Fou (1968), de Jean-Luc Godard. Neste último, quando o personagem de Jean-Paul Belmondo o pergunta o que é o cinema, Fuller arrisca uma definição possível: “O cinema é um campo de batalha. É amor, ódio, ação, violência, e morte. Em uma palavra: emoção”.

São Paulo – 20 a 31 de março – Brasília – 26 de março a 14 de abril – Rio – 16 de abril a 5 de maio

Mais infos: www.bb.com.br/cultura

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