PARANOIA: A CONVERSAÇÃO

5009_5O cinema tem como trunfo principal a imagem, porém A Conversação é um filme que também se destaca pelo som, um recurso importante para o desenvolvimento do enredo desse longa de Francis Ford Coppola. O ano era de 1974, época em que o Caso Watergate ainda estava fresco na memória da sociedade americana e a atmosfera ainda guardava o sentimento de desgosto de uma nação. O filme conta a história de Harry Caul (Gene Hackman), um especialista em escutas que tem como objetivo roubar segredos industriais. Ele se vê envolvido em um impasse após gravar uma conversa que pode terminar com a morte do casal envolvido.the-conversation-original

picture-of-gene-hackman-in-the-conversation-large-pictureA Conversação é um trabalho que pode passar despercebido na filmografia de Coppola, pois ele está espremido entre os dois primeiros longas de O Poderoso Chefão. O sucesso da família Corleone garantiu carta branca para o diretor apostar em um filme mais intimista e calcado em uma linha mais autoral com uma pegada cheia de maneirismos. Sem contar a influência do cinema europeu e a quebra dos paradigmas da Nova Hollywood que permeiam suas obras nesse período.O áudio é uma das questões primordiais do longa, as gravações feitas pelo protagonista são como um nó que vai desatando e formando histórias e possíveis interpretações. Nuances e pequenos detalhes ganham corpo e estimulam o suspense do casal que Caul é obrigado a vigiar. O protagonista é o homem do som, além das fitas de gravações, é saxofonista. Um cara de poucas palavras, não gosta de se expor, desconfia de tudo e todos ao seu redor, evita mostrar quem verdadeiramente é. Carrega um passado cheio de amarguras e espera que seus erros não sejam lembrados ou se repitam.20439O personagem é símbolo do mal estar americano vivido no início da década de 70, a paranoia que pairava sobre as terras do Tio Sam. O diretor aborda um assunto que ainda está bem em evidência nos tempos atuais com o crescimento tecnológico. Meios de vigilância que chegam a ser bizarros, como a feira de produtos de espionagem que o personagem de Hackman acaba frequentando. É uma menção clara ao escândalo que derrubou Richard Nixon e pode até se fazer um paralelo com alvoroço causado pelas informações do WikiLeaks recentemente.

As participações de Harrison Ford e Robert Duvall acrescentam ainda mais credibilidade para Coppola que estava em sua época mais efervescente. Além dos dois “Chefões” (1972 e 1974) e A Conversação (1974), ainda estaria por vir Apocalipse Now (1979).

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