ESTRANGEIROS SOBRE RODAS

cropped-two-lane-blacktop-james-taylor-dennis-wilson-laurie-bird1Entre sexo, drogas e rock’n’roll, Sem Destino (Easy Rider, 1969), de Dennis Hopper e Corrida Sem Fim (Two-Lane Blacktop, 1971), de Monte Hellman permeavam a Nova Hollywood e representam a solidão e o descontentamento de uma geração. Ambos os longas são focados em personagens que escolheram andar sobre rodas em vez de conviver com as regras e a comodidade que o mundo lhes oferecia. Preferiram mesmo o exílio.Easy-Rider (1)

Easy_Rider-350702095-largeEm Sem Destino, Wyatt (Peter Fonda) e Billy (Dennis Hopper) só querem chegar a tempo de celebrar o Carnaval de Nova Orleans. Não se encaixam em nenhum local que estacionam suas motocicletas, recebem olhares que já o identificam como outsiders. Vivem como nômades até chegarem ao seu destino final, se é que existe mesmo algum.

O personagem de Fonda também é conhecido como Capitão América, uma característica que está explícita com a bandeira dos EUA estampada em sua moto e no capacete. Contudo, esse visual não representa a confirmação dos valores americanos, pelo contrário. É uma contestação diante de toda uma sociedade, como se a dupla procurasse a utopia nas estradas ou na viagem do LSD. Sem hesitar, Wyatt sentencia o mal-estar de toda uma época: “Jogamos tudo fora…”.two-lane-blacktop-1Já o longa de Monte Hellman é mais profundo e atua pelos mesmos caminhos. Os protagonistas não tem nome, os diálogos são imprecisos, nada está no lugar certo. Esse é todo o vazio que representa as ações do filme. O Motorista (James Taylor) e O Mecânico (Dennis Wilson) são donos de um Chevy 55 cinza e têm somente um objetivo: correr. Os dois até apostam uma corrida até Washington com G.T.O (Warren Oates), onde o prêmio é ganhar o carro do outro.hellman_two-lane_twoOs personagens são de poucas palavras, falam de verdade somente com o ronco dos motores ou com o silêncio mórbido. É um dilema sensorial. As caronas e os papos sobre motores, rodas e afins servem para diminuir a solidão entre eles. É a única questão de identificação nessa realidade criada como válvula de escape. Não é à toa que G.T. O sempre inventa histórias diferentes de sua vida quando senta um passageiro ao seu lado.

Não importa se a viagem é de moto ou de carro, Sem Destino e Corrida Sem Fim lidam com homens que são crus perante a sociedade, não pertencem ao jogo social e o da hipocrisia, são estrangeiros assim como o Meursault de Albert Camus.90587-050-E56FF6E5

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