MANOEL DE OLIVEIRA ORAS POIS

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A obra de Manoel de Oliveira (Porto, Portugal, 1908) constitui um dos capítulos mais originais da história do cinema, tendo realizado até hoje, entre curtas, médias e longas-metragens, 54 filmes. Em 2008, o Museu de Arte Contemporânea de Serralves, no Porto, apresentou MANOEL DE OLIVEIRA: UMA HISTÓRIA DO CINEMA  dedicada à obra do cineasta, no ano em que era celebrado o seu centésimo aniversário. Em 2013, a exposição, com curadoria de Paula Fernandes, chega ao Instituto Tomie Ohtake em São Paulo, depois de entusiasmado empenho dos diretores das duas instituições, Ricardo Ohtake e João Fernandes, à época diretor do Museu Serralves, e da atual diretora, Suzanne Cotter. Agora, todos comemoram a realização da mostra adaptada aos espaços da instituição brasileira e atualizada, já que, desde 2008, Manoel de Oliveira realizou mais cinco produções.

Esta exposição faz parte da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, e é uma homenagem a seu fundador, falecido há dois anos, Leon Cakoff, extremamente próximo a Manoel de Oliveira, admirador profundo de sua obra e especial amigo do cineasta.
Os filmes são o material da própria exposição, tendo como ponto de partida o modo como Oliveira reinventou o cinema ao criar uma linguagem cinematográfica única. Ao longo de vários momentos se descobre seu vocabulário particular por meio de trechos retirados de suas inúmeras obras, desde Douro, Faina Fluvial, de 1931 até Conquistador Conquistado, de 2012.

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“Estes excertos não são montados como meros materiais para um outro filme, nem perdem a sua natureza de fragmentos, mas ilustram recorrências e assuntos que serão úteis apresentar a quem agora irá ter ocasião de descobrir ou redescobrir a obra de Oliveira”, afirma Paula Fernandes. Segundo a curadora, ainda, temas como a relação entre o documentário e a ficção, entre o cinema e o teatro, bem como a autonomia entre texto, imagem, som e música, são apresentados na exposição, relevando a mestria, inteligência e irreverência deste cineasta que se transformou num marco da cinematografia mundial. Ilustram também a mostra fotografias, manuscritos e textos.

O percurso de vida de Manoel de Oliveira constrói uma analogia com a história do cinema. A descoberta da imagem em movimento, o som, a cor e as técnicas digitais de filmagem foram mudanças por si personificadas e se renitente de início, rapidamente se adaptou às novas tecnologias e delas tira partido. Nesta exposição pode-se notar como Oliveira praticou vários gêneros cinematográficos do documentário à ficção e ao filme-ensaio.

A sua vida é tão fascinante quanto a sua obra. Ator, trapezista, atleta de competição e corredor de automóveis, a biografia de Manoel de Oliveira cruza-se com a história do cinema e com a história do século XX. Filmes como Douro, Faina Fluvial (1931), Aniki-Bobó (1942) ou Amor de Perdição (1978) fazem hoje parte do imaginário dos portugueses, sendo reconhecidos internacionalmente no contexto de uma obra única, considerada como uma das mais relevantes desde os irmãos Lumière até aos nossos dias. Oliveira não cessa de surpreender os seus públicos e a crítica especializada com os filmes que, apesar da sua avançada idade, continua a realizar todos os anos.

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