KUBRICK CONTRA A MEDIOCRIDADE

kubrick-2001-contraversao“Meu marido ficaria muito surpreso se ele me visse fazendo um discurso no Brasil e também estaria muito feliz com tão boa recepção”, disse Christiane Kubrick, ao apresentar a sessão de Barry Lyndon de sexta-feira, dia 18, no Cinesesc – o filme inspirou a tela Ensaio na Chuva, de Christiane, que estampa os pôsteres da 37ª Mostra. “Também penso como o Sr. [William] Thackeray se sentiria se soubesse o quanto sua obra durou”, completou.
Fazendo uma referência ao famoso epílogo que fecha o filme da exibição, Jan Harlan, cunhado do diretor e produtor executivo de vários de seus filmes, observou, com seu senso de humor, o quanto a obra de Thackeray ainda é relevante. “Eu fiquei muito emocionado quando li os créditos finais do filme. Poderia dizer que provavelmente 70% das pessoas creditadas ‘são todas iguais agora’ de fato”.

“Stanley estudou pinturas com muito cuidado, pois adorava a arte do século 18 e por isso desenvolveu a câmera para filmar cenas às luzes de vela”, adicionou Christiane, comentando sobre o visual do filme. “As pessoas eram muito pálidas e a pele, a seda e os vestidos acabavam ficando da mesma cor. No escuro, só com luz de vela, as pupilas se dilatam e os olhos ficam pretos e brilhantes. É assim que as pessoas aparecem no filme e, de fato, ficaram muito bonitas. Ver o filme é como entrar em um quadro”.11

Napoleão

Outra curiosidade que entusiasmou a plateia foi o projeto que Kubrick desenvolveu sobre a vida de Napoleão Bonaparte, filme que nunca foi realizado e que marca o início da parceria entre Harlan e o cineasta. “O filme foi preparado com tremendo amor e cuidado por Stanley e ele ficou decepcionado quando a MGM falou que não daria continuidade ao projeto”, disse ele – o estúdio sabia que Dino de Laurentis também comandava um projeto sobre a vida de Napoleão na época, Waterloo. “Stanley estava bem triste, mas a vida tinha que continuar. Uma das primeiras coisas que ele fez foi comprar os direitos de Breve Romance de um Sonho, de Arthur Schnitzler, em 1970, que 30 anos depois se tornou De Olhos Bem Fechados”. Recentemente, Steven Spielberg levou o roteiro de Kubrick sobre a vida de Napoleão produzido para a TV.

Questiona a respeito de A.I.: Inteligência Artificial, projeto que Kubrick também entregou a Spielberg, no fim dos anos 90, Christiane respondeu que o cineasta teria ficado muito satisfeito com o resultado final. E ponderou: “Ao mesmo tempo, ele estaria consciente de que sua versão teria sido bem mais sombria. Ambos gostavam muito um do outro e sabiam que eram bem diferentes. Spielberg foi fiel ao roteiro, mas, por exemplo, a ideia original da Cidade do Pecado teria sido bem mais catastrófica. Seria um filme proibido para menores”.

O Medo da Mediocridade
Fechando o debate contando como era trabalhar com o emblemático diretor, Harlan revelou que o mestre era, antes de tudo, muito exigente com si mesmo. “É fácil entender, portanto, porque era tão exigente com os outros. Se Stanley tinha medo de qualquer coisa, era da mediocridade”, afirmou.
A Retrospectiva Stanley Kubrick continua presente na programação da 37ª Mostra, assim como a Exposição Stanley Kubrick, que segue sua estadia no Museu da Imagem e do Som até o dia 12 de janeiro de 2014. O livro Conversas com Kubrick, de Michel Ciment, uma parceria da Cosac Naify com a Mostra, também será lançado durante o festival, no dia 27 de outubro, no MIS.

Conteúdo do site http://37.mostra.org/br/jornal_interno/11-Jan-Harlan-ldquoSe-Stanley-tinha-medo-de-alguma-coisa,-era-da-mediocridaderdquo

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