OLHAR DE M. DE OLIVEIRA

o-gebo-e-a-sombra-8416

“Uma catástrofe como a de D. Sebastião! Luís de Camões leu Os Lusíadas a D, Sebastião antes deste partir para a guerra. Já em D. Quixote, escrito dezesseis anos antes da derrota da Armada Invencível, Cervantes fazia pouco das grandes vitórias militares. A Armada era Invencível, mas foi vencida. Quando as coisas correm bem se fala muito nisso, quando correm mal, são caladas! Todas, ou quase todas as grandes obras são obras críticas. Os Lusíadas e Dom Quixote são apenas dois exemplos. O texto de O Gebo e A Sombra se passa num único local. Eu é que arejei um pouco. Na peça não há rua nem mudança de cenário porque não era viável. É a diferença entre o teatro e o cinema: o cinema é mais amplo. Menos que a literatura mas muito mais que o teatro.

Os personagens de fato esperam que de fato algo aconteça, mas ao mesmo tempo esperam que não aconteça nada de mal. Como é dito no filme, a felicidade é que nada aconteça. É verdade que nos meus filmes parece que nada acontece, no entanto coisas fundamentais acontecem! Como explicar a vida? Avida não tem explicação, desenrola-se.”

2781-manoel_de_oliveira_prt__1_

Manoel de Oliveira sobre seu filme mais recente que está em cartaz no CineSesc.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s