OZU E YAMADA

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Yoji Yamada é um dos símbolos do cinema japonês, um dos diretores da geração pós o trio de ferro formado por Kurosawa, Mizoguchi e Ozu. Este último é uma de suas referências declaradas, tanto que ele fez um remake do clássico Era Uma Vez em Tóquio que leva o nome de Uma Família em Tóquio (Tokyo Kazoku). Um filme de 2013 que atualiza o de 1953 e trata dos mesmos temas da vida cotidiana, contudo o resultado é bem diferente.

Em Uma Família em Tóquio, Shukichi e Tomiko, um casal de idosos, decide deixar a vida quieta do interior para visitar os filhos e netos em Tóquio. Ao chegarem, descobrem que nem o filho mais velho, o médico Koichi, nem a filha mais velha, Shigeko, dona de um salão de beleza, tem tempo para eles. Até o filho caçula seguiu seu próprio caminho. Os dois idosos sentem-se sozinhos e atordoados na acelerada metrópole.

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viagematoquio_poster_f2Já a obra de Ozu procura trabalhar praticamente nesse universo no roteiro. O casal de idosos Shukishi e Tomi Hirayama mora em uma pequena vila beirando o mar interior, e decidem visitar seus filhos, já adultos, que moram em Tóquio. Ao chegarem, notam que os filhos estão muito ocupados com suas rotinas diárias para prestar atenção nos pais, tratando a companhia como obrigação, até que são acolhidos por Noriko, nora do casal, cujo marido faleceu durante a Segunda Guerra.

uB42nokO filme de Yamada atualiza a trama de Ozu. Praticamente a maioria das cenas que ficaram eternizadas no clássico volta com nova roupagem. A câmera baixa e o quase nulo movimento são características que o cineasta contemporâneo utiliza em função de sua influência do mestre. Uma obra tocante, contudo um trabalho mais formalista se comparado com a excelência máxima de 1953.

Era Uma Vez em Tóquio desnorteia o expectador mesmo com a simplicidade cotidiana. O ponto de vista dos objetos – inclusive do travesseiro inflável; a ambiguidade dos personagens e seus diálogos; o engodo a cada sequência.  Essas características mostram a grandiosidade e as dimensões que envolvem o longa.

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Um exemplo perfeito que diferencia uma versão da outra é a cena em que definitivamente o Palácio Imperial “vê” os personagens. Já com Yamada, o processo é o contrário. Shukichi e Tomiko observam a Sky Tree, por mais que se sintam como forasteiros na metrópole japonesa,  o efeito é mais normal. É um bom seguidor e navega bem em suas influências. Mas Yasujiro Ozu deixava mais perguntas do que respostas.  Nos desafiava mais.  Essa é a principal diferença.

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