PORTAL DO INFERNO

GATE OF HELL_MoC_PR Still 3 (Large)Nem as camadas 3D de Avatar consegue atingir uma vivacidade nas imagens como oJigokumon_poster clássico Portal do Inferno (1954), o lendário longa japonês de Teinosuke Kinugasa. O trabalho do diretor de fotografia Kohei Sugiyama é marcante no belo uso e disposição de cores, o resultado é arrebatador, como se estivéssemos em frente a uma pintura a frame. O longa foi um dos responsáveis por mostrar o poderio do cinema japonês com mais destaque no Ocidente. Recebeu a Palma de Ouro no Festival de Cannes e o Oscar nas categorias de Melhor Filme Estrangeiro e Figurino.

A trama é uma história trágica de amor e obsessão que se passa no Japão feudal, no ano de 1159, da Era Heian. Durante uma rebelião, Lady Kesa (Machiko Kyo), se faz passar pela irmã do imperador e quase morre. Ela é salva por Moritoh Enda (Kazuo Hasegawa), um samurai que se apaixona por ela e pede como recompensa o direito de se casar com ela. O problema é que Kesa já é casada com Wataru Watanabe (Isao Yamagata).

É clara a influência dos teatros Nô e Kabuki por meio da poesia, música, dança com drama lírico, mímica durante as cenas. O vermelho se destaca nos momentos mais dramáticos e turbulentos, já o azul se manifesta nas sequências mais nebulosas. Realmente, é um filme que fala por si só por meio das imagens, cheio de texturas e harmonia de cores.

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Valem ressaltar o belo trabalho de câmera, os movimentos sutis e os enquadramentos inusitados, sem contar os travelling, os planos sequências. Em determinadas tomadas, o expectador observa tudo como se estivesse em buraco de fechadura.

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A sequência final é uma aula de cinema, com todos os ingredientes já citados acima e um desfecho que predomina a obsessão e a loucura de um homem. O filme que antes tinha cores mais quentes parte para um lado mais nebuloso. A elipse final que envolve o sacrifício Lady Kesa é digna de outra obra prima do cinema japonês: A Imperatriz Yang Kwei Fei (Yôkihi, 1955), direção do mestre Kenji Mizoguchi.

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O filme é baseado na lenda chinesa Yokihi. No século VIII, o Imm_kyo11perador viúvo Hsüan-tsung (Masayuki Mori) reina sozinho, dedica sua vida à música e vive de luto por conta da morte da última Imperatriz. Ele conhece uma bela garota chamada Yang Yu-huan (Machiko Kyo), se apaixona e ela se torna a Imperatriz Yang Kwei-fei. A trama envolve um caso de amor em um cenário de lutas de poder e intrigas políticas com consequências trágicas.

A execução de Yang Kwei-fei é simplesmente impiedosa, sua morte é simbolizada pelos chinelos colocados de lado, a queda dos brincos e do quimono. Uma cena que mostra pouco para mostrar muito ao mesmo tempo. Só resta a dor para Hsüan-tsung, como para os personagens de Portal do Inferno.

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