SIMPLESMENTE VERSÁTIL

1511456_695494830507711_4067259651565591095_n10521202_751273551596505_1800210144944043517_nTrono Manchado de Sangue (1957), de Akira Kurosawa, está em pré-venda. Esse célebre clássico já tinha chegado em DVD no Brasil por um selo que lançou um trabalho que deixa a desejar, incluindo o filme até em um formato errado. Contudo, o país finalmente vai ter uma edição à altura da obra do mestre imperador japonês. A responsável por este lançamento é a Versátil Home Vídeo, que já virou sinônimo de qualidade em DVD/ Bluray. A empresa foi fundada em 1999 pelo jornalista Oceano Vieira de Melo e seu filho, Juliano Melo, e logo se tornou uma das primeiras distribuidoras a lançar filmes em DVD no Brasil.

1Antes do longa estar disponível para compra, existe todo um processo que o filme precisa passar. O Curador Fernando Brito contou todos os detalhes e os bastidores que envolve um lançamento, falou sobre a situação atual do mercado audiovisual e mostrou que antes de tudo, é mais cinéfilo apaixonado pela sétima arte. 

A Versátil lança só clássicos renomados ou cults raros para o colecionador brasileiro. Cada mês, há um leque de opções incríveis, impossível não se render ainda mais com as locadoras sumindo do mapa. Como tem sido se aventurar pelo mercado do DVD/ Bluray nos últimos anos no Brasil?

10629832_775450009178859_26641074004145426_nTem sido muito difícil, uma luta a cada mês, por causa do declínio das vendas do mercado de home video, tanto para DVDs como para Blu-ray, este último um formato que infelizmente nunca decolou aqui no nosso país. Esse declínio tem várias razões, como a proliferação de downloads, a pirataria nas ruas, a popularização do vídeo on demand (Netflix e outros), a falta de espaço para armazenar DVDs/Blu-rays nas residências (os apartamentos e casas são cada vez menores). E, hoje, as locadoras estão praticamente extintas. Felizmente, a Versátil nunca dependeu do mercado rental (locadoras), já que 95% de suas vendas são justamente do mercado sell thru (venda direta ao consumidor em livrarias, sites e lojas especializadas), até pelo perfil de nosso produto. Afinal, lançamos clássicos, filmes antigos, documentários, etc. Raramente são filmes novos, recém exibidos no circuito comercial de cinema.

10685382_778123138911546_5737236737676929557_nComo é o processo da escolha de um filme, escolha da arte, tradução, todas as etapas até se chegar à loja? 

acossado-bd-imagemComo curador, sou responsável pela escolha dos títulos que iremos lançar e também pela negociação de direitos autorais no exterior. Acompanho sempre os lançamentos lá fora, além de frequentar as principais feiras de conteúdo audiovisual, como Cannes e Berlim. Assim, descubro o que podemos licenciar para lançar aqui no Brasil. Após a seleção do filme, pesquiso a disponibilidade das melhores másteres (atentando ao aspecto original, se a cópia em questão está restaurada e sem cortes, no idioma original, etc.), verifico a existência de extras (esta é uma parte importante, já que tentamos oferecer uma Edição Especial para cada título, com o máximo de extras possível), depois encaminho para os filmes para tradução (somos muito chatos com as traduções e revisões de nossos filmes), e começo todo processo de autoração (marcação das legendas, masterização, etc.) e faço o briefing para criação do material gráfico por nosso designer, o Ezequias Tomé da Silva, responsável por nossas capas há mais de dez anos. Depois, vem a etapa de abertura de pré-venda, envio de informações aos sites e lojas, e divulgação do produto na imprensa e nas redes sociais. É um longo caminho…

Os lançamentos de filmes japoneses já se tornaram tradição e um dos grandes destaques do catálogo. O que esse cinema tem de especial? 

Sou suspeito para falar de cinema japonês, já que sou fã desde a adolescência, quando acompanhava as mostras de cinema nipônico na Cinemateca Brasileira, quando esta ainda tinha uma sala na Rua Fradique Coutinho. Vi de tudo, de chambaras, filmes de terror, yakuza, Nouvelle Vague, os grandes mestres (Ozu, Mizoguchi, Naruse, Kurosawa, Kobayashi), etc. Então, em 2012, após 13 anos de Versátil, decidimos investir nessa cinematografia, com o lançamento de Musashi – Trilogia Samurai, de Hiroshi Inagaki. Foi um sucesso que possibilitou o lançamento de mais de 50 filmes japoneses nos últimos dois anos, distribuídos em títulos individuais (Portal do Inferno, A Mulher da Areia, etc.) como em caixas antologias ou coleções temáticas (O cinema de Ozu 1 e 2, O cinema de Mizoguchi, Cinema Samurai, Lobo Solitário, etc.)

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Nos últimos digistacks, a Versátil tem lançado dois filmes por mídia.  Interessante é reparar que os longas continuam com uma qualidade impecável e representam um ótimo custo para o colecionador. Esse formato é popular em outros países? 

Nos Estados Unidos, há alguns lançamentos assim. Porém, como os mercados americanos e europeus são bem diferentes que o nosso, e o custo de produção da mídia é mais baixo lá, eles costumam fazer o lançamento de um filme por disco. Mas, com o declínio do mercado de home vídeo aqui no Brasil, o consumidor hoje procura o melhor custo-benefício com a melhor qualidade possível. Percebendo isso, tive a ideia de investir nesse formato, com dois filmes por disco, em caixas antologias. A qualidade é mantida por causa das másteres restauradas em alta definição, algumas das vezes até em 4k, como A Grande Ilusão e O Grande Desfile, filmes da caixa A Primeira Guerra no Cinema.

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Em todo esse tempo de estrada, foram vários DVDs/Blu-rays sensacionais. O colecionador brasileiro sofre para achar grandes filmes, além de ser vítima de selos que lançam longas com cópias horríveis. Dá para fazer uma espécie de Top 5 ou Top 10 com os lançamentos mais prestigiados da Versátil?

Que pergunta difícil! São tantos… (Risos). Mas posso relacionar alguns dos mais especiais: O Leopardo e Ludwig, de Visconti, Fellini 8 ½ e A Doce Vida, de Federico Fellini, O Evangelho Segundo São Mateus, de Pier Paolo Pasolini, Berlin Alexanderplatz, de R. W. Fassbinder, Trilogia das Cores, de Kieslowski, Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha, Coleções Studio Ghibli Volumes 1 e 2, de Hayao Miyazaki, Notícias da Antiguidade Ideológica: Marx, Eisenstein,O Capital, de Alexander Kluge, Lobo Solitário – A Série de Cinema Completa, O Cinema de Ozu, O cinema de Mizoguchi, Obras-Primas do Terror, Filme Noir e Hollywood contra Hitler.

Existe uma história inusitada envolvendo o processo de um lançamento um filme que você lembra?

São tantas histórias. Mas vou contar uma especial. Trabalhei quase seis anos na 2001 Vídeo, como indicador de filmes e em outras funções, foi minha grande escola de cinefilia apaixonada, como Tarantino e Kevin Smith (alguém aí lembrou de “O Balconista?). Sempre ouvia falar da lendária maratona que foi a exibição de Berlin Alexanderplatz na Mostra Internacional de Cinema de S. Paulo nos anos 80. Quando vi que a série tinha sido restaurada pela Bavaria que vendia os direitos em Cannes, não acreditei. Pensei comigo, vou atrás desse sonho cinéfilo de tanta gente. Fui uma empreitada incrível – consegui apoio do Goethe-Institut de São Paulo, a Câmara de Comércio Brasil-Alemanha, e da Mostra, ainda à época dirigida pelo saudoso Leon Cakoff. Lançamos a série completa (quase 18 horas e ainda com extras) e ainda exibimos a série em película 35mm na Mostra (quase meia tonelada de filme, que veio diretamente da Alemanha). O resultado final me encheu de orgulho. Missão cumprida!

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Quais selos internacionais de DVD/ Bluray você mais admira?

The Criterion Collection (a empresa dos sonhos de qualquer cinéfilo) e Kino, dos Estados Unidos; Eureka e Arrow, da Inglaterra; Carlotta, da França, e Arthaus, da Alemanha.

Como você começou a gostar de cinema? Tem um diretor ou um gênero que mais aprecia?

Comecei a gostar quando ainda era moleque, e eu meus irmãos alugávamos filmes nas primeiras videolocadoras. Sempre digo que o bom cinema não tem gênero, idade, cor ou país. Há obras-primas em todos os gêneros, países, épocas, preto e branco, colorido, etc. Tenho preferência especial pelo cinema italiano dos anos 50 e 60 e pelo cinema japonês do mesmo período. E o meu gênero de coração é o faroeste.

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Pode falar de um lançamento bem legal para os próximos meses?

Vamos lançar agora em dezembro a uma caixa antologia muito bacana, Cinema Yakuza, com seis clássicos sobre a máfia japonesa, incluindo obras-primas de Takeshi Kitano (Sonatine), Masahiro Shinoda (Flor Seca), Seijun Suzuki (A Marca do Assassino) e Kinji Fukasaku (Guerra de Gangues em Okinawa), a edição definitiva de Serpico, de Sidney Lumet (Digistack com 2 DVDs com a versão restaurada e uma hora e meia de extras inéditos), e A Arte de Samuel Fuller (Digistack com 2 DVDs e quatro obras-primas do mestre, além de muitos extras), este último lançamento para janeiro.

Mais informações no http http://www.dvdversatil.com.br

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