RELATOS DA MOSTRA III: CINEMA JAPONÊS

20147010_1_IMG_FIX_700x700

20147815_2_IMG_FIX_700x700O tom espanhol dominou a programação, contudo o cinema japonês foi bem representado e também foi um dos destaques. Durante a maratona, conferi Quando A Chuva Cai (1957) e Paixão Mórbida (1964), ambos de Noboru Nakamura, e ainda A Pequena Casa (2014), de Yoji Yamada.

Quando A Chuva Cai tem toques de Ozu por tratar de âmbitos cotidianos, mas revela uma família com uma estrutura nada peculiar. Mãe de três filhos, Tane (Sadako Sawamura) é a dona de um pequeno hotel, utilizado, principalmente, para encontros de casais apaixonados. Ela é amante do pai de seus filhos, que é casado com outra mulher, mas mesmo assim visita frequentemente a casa deles, de forma amigável.

nn02sub01A filha mais velha, Matsuko (Mariko Okada), está noiva de um colega de trabalho, Kazuo (Keiji Sada). Porém, ele a abandona por conta da pressão de sua família, que não aceita o fato de Tane ser uma amante, algo fora da moral e dos bons costumes. Desolada, Matsuko sai da cidade e vira anfitriã de uma boate. Anos depois, quando Kazuo é procurado pela polícia, ele pede abrigo na casa de sua ex-noiva, retomando uma paixão que pode ter um final trágico. O final se revela muito emotivo, mas o longa se destaca pelo peso dos dramas que acompanham os personagens no período pós-guerra.

csm_20147816_6526_1ccae7e7a2Paixão Mórbida mostra um lado mais voltado para a Nouvelle Vague Japonesa. Na trama, Yoshie é uma garota de 19 anos que trabalha em uma fábrica, mas sonha com uma vida diferente. No bar onde trabalha de noite, ela conhece Eiji, um membro da Yakuza. Ela fica feliz com a atenção que ele lhe dá, e os dois começam um relacionamento logo em seguida.

Mas Eiji não demora a se mostrar um sujeito violento. Ele tem dívidas de jogo e começa a pressionar Yoshie para que ela se torne uma prostituta. Ela se vê então presa em uma espiral de brutalidade e humilhação. Os enquadramentos inusitados, as cores, a ambiguidade da personagem que parece não querer se livrar de sua tragédia do dia a dia são os maiores destaques. A cena dos chinelos espalhados, de todo um bando da Yazuka, em frente a um quarto representa a elipse que mostra o que a vida reserva para Yoshie, uma das sequências dolorosas que envolve o longa.

ff20140124a1aYoji Yamada não esconde sua admiração por Yasujiro Ozu e claro que isso está claro em A Pequena Casa. O filme é baseado no romance de Kyôko Nakajima e mostra as memórias da solitária Taki (Haru Kuroki/ Cheiko Baisho). A história, que envolve paixões e segredos, tem como plano de fundo a cidade de Tóquio antes e durante a Segunda Guerra Mundial.

Taki foi uma senhora solteira e sem filhos, Takeshi, uma vida que parecia nada de extraordinário. Contudo, seu sobrinho descobre um lado nada conhecido, suas paixões, sutilezas que revelam por meio de flashbacks uma história cheia de ambiguidade e a escolha de ocultar ações para proteger quem se ama.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s