MOSTRA MICHAEL CIMINO

cover1300thunderbolt-and-lightfoot-1A carreira de Michael Cimino talvez seja a mais espetacular tradução da clássica história de ascensão e queda de um cineasta em Hollywood desde Orson Welles – uma história operística que, à maneira de seus filmes, é repleta de conquistas arrebatadoras e fracassos monumentais, sem muito espaço para meios-tons.

Dono de uma personalidade marcante e difícil segundo seus antigos colegas de trabalho, Cimino teve uma ascensão meteórica na indústria cinematográfica depois de uma passagem de sucesso pelas agências da lendária Madison Avenue, onde era um dos mais admirados diretores de comerciais da época.

Formado em pintura, Cimino viu sua chance como cineasta surgir quando Clint Eastwood levou um de seus roteiros para a sua produtora, Malpaso, com o intuito de estrelá-lo. O resultado, O Último Golpe, foi um enorme sucesso comercial que colocou Cimino definitivamente no mapa de Hollywood.

Quatro anos depois, ele apresentaria ao mundo um dos filmes definitivos sobre a Guerra do Vietnã: O Franco Atirador, uma obra-prima de grande impacto emocional que revelaria Christopher Walken e acabaria vencendo cinco Oscar – incluindo os de melhor filme e diretor. Antes mesmo do reconhecimento e das premiações da indústria, Cimino – um dos mais quentes diretores de Hollywood – já havia se comprometido a realizar seu próximo trabalho para a United Artists, um ambicioso filme de época chamado  Portal do Paraíso.

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O resultado, como se sabe, acabou sendo desastroso para todos os envolvidos. A sequência de problemas e atrasos que acometeram as filmagens e os constantes embates entre o diretor e o estúdio em relação ao orçamento viraram material farto para especulações da imprensa na época e se tornaram material de lenda em Hollywood.

Na queda de braço entre o estúdio e o diretor, o estúdio acabou vencendo, mas pagou um preço altíssimo por sua interferência: na tentativa de “salvar” o filme de um desastre comercial, os produtores lançaram nos cinemas uma versão radicalmente mutilada que não refletia a visão do diretor e que, ironicamente, quase levaria o estúdio à bancarrota. Sua carreira nunca se recuperou do forte baque do lançamento original do filme.

Desde então, Cimino realizou apenas quatro outros longas-metragens, mais ou menos bem-sucedidos comercial e artisticamente. Como tudo o mais na trajetória e na obra do cineasta, porém, uma nova e espetacular reviravolta em sua carreira aconteceria quinze anos depois da estreia de seu último filme – e, curiosamente, ela se daria com o próprio filme responsável pelo baque: a versão original de três horas e meia de O Portal do Paraíso, tendo sobrevivido ao longo dos anos, terminou restaurada e exibida em festivais mais de três décadas depois, revelando ao mundo mais uma obra-prima de raríssimo apuro visual e mise em scéne sofisticadíssima, que sedimentou a figura de Cimino como um dos maiores cineastas norte-americanos da segunda metade do século XX.

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Fernando Toste, roteirista e crítico de cinema

BIOGRAFIA
Michael Cimino nasceu em Nova York, em 1939, em uma família ítalo-americana. Formou-se em artes gráficas pela Universidade do Michigan e em pintura pela Universidade de Yale. Em 1971, foi para Los Angeles e entrou no cinema como roteirista de filmes como Corrida Silenciosa (1972) e Magnum 44 (1973).

Estreou na direção em 1974 com O Último Golpe. Ficou conhecido com seu filme seguinte, O Franco Atirador (1978), drama sobre a Guerra do Vietnã que ganhou cinco Oscar,incluindo melhor filme e direção. Em 1980, lançou o épico Portal do Paraíso, um dos filmes mais caros da história do cinema à época, com orçamento de US$ 44 milhões, que foi também um grande fracasso de bilheteria, rendendo apenas US$3,4 milhões. Depois dessa experiência, Cimino ganhou fama de maldito, que se mantém até hoje.

Dirigiu ainda outros quatro longas: O Ano do Dragão (1985), O Siciliano (1987), Horas de Desespero (1990) e Na Trilha do Sol (1996). Esteve ligado a vários projetos que não chegaram a se concretizar, entre eles uma versão para o cinema de Crime e Castigo, de Dostoiévski, e uma cinebiografia de Janes Joplin; além de outros que acabaram dirigidos por outros cineastas, como Footloose (1984) e Nascido em Quatro de Julho (1989).

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Para mais informações acesse o site oficial.

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