QUAL É A VERDADE DE RASHOMON?

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A realidade se manifesta de acordo com cada pessoa, na verdade temos várias verdades no clássico Rashomon (1950), do mestre Akira Kurosawa. Na trama, um camponês, um lenhador e um sacerdote se refugiam de uma tempestade nas ruínas do Portão de Rashomon, no Japão do século XI. O sacerdote e o lenhador descrevem ao camponês um julgamento do qual foram testemunhas – do assassinato de um samurai e do estupro de sua mulher. Em flashback, o julgamento é contado por meio dos relatos divergentes e dúbios de quatro testemunhas.

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No longa, viramos testemunhas ocular e somos atingidos pelas mesmas dúvidas dos personagens. As sequências selva adentro, os diálogos entre os arbustos  e sombras contribuem para criar uma atmosfera ambígua. O ladrão Tajômaru – interpretado por Toshiro Mifune – é mesmo mal? Foi realmente um estupro? A mulher gostava do seu marido samurai? Temos mais perguntas do que respostas… 

O filme tem momentos antológicos como logo na primeira tomada, onde somos apresentados a floresta pelo movimento da câmera que acompanha o lenhador. Ou quando Machiko Kyô aparece pela primeira vez em cena com uma beleza virginal entre o véu. Aquelas panorâmicas mostrando a natureza e o sol são dignas de John Ford. Pode se dizer até que existe uma geometria Fritz Lang na composição dos espaços.

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Temos a visão de Tajômaru, Masako Kanazawa, do lenhador e a de um médium que é responsável por dar voz ao samurai morto: Takehiro Kanazawa. As cenas de julgamento não tem nenhum interrogador, a câmera é frontal nos depoimentos, somente as testemunhas se dirigem diretamente ao expectador. Como se eles respondem às nossas perguntas e cabe a nós decidir qual é a verdadeira verdade, pois são tantas.

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A chuva é o catalisador de emoções, uma discussão que permeia os rumos e a desconfiança na humanidade, um pessimismo enfatizado com a realidade que cada um constrói para seu melhor proveito. As ruínas é uma alusão ao caminho que a humanidade segue. Como diria um dos personagens:

É humano mentir. Na maioria das vezes, nós não conseguimos ser honestos com nós mesmos.

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