SEM PALAVRAS DE BRESSON

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Robert Bresson consegue extrair a essência do seu cinema em suas obras, ressaltando o poder da imagem, como ocorre no clássico Au hasard Balthazar (1966). O longa mostra a vida triste de Balthazar, um jumento que, desde sua infância foi cercado por crianças que o adoravam, porém sua vida passa a ser apenas de sofrimento quando se torna um animal de carga.

Em paralelo, é contada a história de Marie (Anne Wiazemsky), a garota que batizou o burro e foi sua dona por um bom tempo. Ela também sofre com o sadismo e comportamento de um sádico namorado. O filme é uma crônica cruel e irônica, uma reflexão sobre a natureza humana.

au_hasard_balthazar1Uma das cenas de maior intensidade típica de Bresson é a do estupro de Marie. Vemos apenas um grupo de jovens saindo de uma casa e jogando peças de roupas por todo o lado, Marie está apenas acuada nua em um canto. A sequência é uma das mais insanas e mórbidas, porém o diretor é especialista em construir narrativas despidas de emoções manipuladoras. Sem palavras ou qualquer diálogo, a cena é puro cinema, pura imagem, a emoção fica por conta do espectador.

Bresson preferia empregar atores não profissionais, pois achava ser mais fácil obter deles desempenhos neutros, sem expressões faciais exageradas. Não é á toa, que ele teve a coragem também de colocar um burro como protagonista ao lado de Marie.

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