NOS CINEMAS PT 1

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Essa é uma época em que as sessões de cinema se dividem com longas que serão destaques na corrida pelo Oscar. Alguns são realmente bons e outros nem tanto. Do mais blockbuster ao longa com caráter mais restrito na cenário cinematográfico. La Poderosa conferiu um por um, eis o resultado que você pode ler com muita calma agora. Whiplash, O Abutre, Leviatã e A Teoria de Tudo.

Whiplash, de Damien Chazelle, é um filme sobre a música. O solitário Andrew (Miles Teller) é um jovem baterista que sonha em ser o melhor de sua geração e marcar seu nome na música americana como fez Buddy Rich, seu maior ídolo na bateria. Após chamar a atenção do reverenciado e impiedoso mestre do jazz Terence Fletcher (JK Simmons), Andrew entra para a orquestra principal do conservatório de Shaffer, a melhor escola de música dos Estados Unidos.

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JK Simmons é um insano da perfeição e Andrew é o cara disposto a atingir esse nível. Suor, sangue, dor na rotina do protagonista, que abdica de tudo ao seu redor para conseguir chegar ao seu objetivo. O personagem de Fletcher é como se fosse a reencarnação do sargento Hartman do clássico Nascido Para Matar. Um homem desesperado que preza o sacrifício para encontrar um novo Charlie Parker ou só é mais um sádico que se orgulha em mostrar poder e dominar pessoas? Uma bela homenagem a clássicos como Whiplash e Caravan.

o-abutre-crítica-1024x688O Abutre, de Dan Gilroy, foi completamente esquecido pelo Oscar e já se pode considerar uma das maiores injustiças da premiação desse ano. A trama mostra o jovem Louis Bloom (Jake Gyllenhaal) que enfrenta dificuldades para conseguir um emprego formal e decide entrar no agitado submundo do jornalismo criminal independente de Los Angeles. Sua fórmula é correr atrás de crimes e acidentes chocantes, registrar tudo e vender a história para veículos interessados.

Jake Gyllenhaal realmente resolveu atuar, após se envolver com projetos ruins e papéis que batiam sempre na trave, agora finalmente o ator faz um trabalho que é o divisor de águas de sua carreira. Seu personagem tem uma ética própria, desprovido de qualquer sentimento, suas palavras são rápidas como se estivesse sido decoradas ou estudadas previamente.

Não só vai a procura de carnificina, como também produz carnificina. O longa poderia retratar somente a história de um homem com atos lunáticos, mas revela um verdadeiro círculo vicioso de uma mídia que anseia o sensacionalismo e explodir com níveis de audiência. Nina Romina (Rene Russo) representa esse lado.

leviathan_article_story_largeUm dos destaques da 38ª Mostra Internacional de São Paulo, o russo Leviatã, de Andrey Zvyagintsev, traz um pai de família (Aleksey Serebryakov) que luta contra os poderes de um prefeito corrupto. O mandatário deseja construir uma empresa de telecomunicações na área que era ocupada pela família do protagonista por gerações.

O elenco tem uma força incrível de atuação, uma característica típica do cinema russo. Interessante a opção do diretor de omitir momentos chaves do filme, como o destino da esposa ou da resolução de um caso de traição, aumentando a ambiguidade dos personagens em cena. Leviatã é a decomposição de uma família, de uma nação (as críticas a Vladimir Putin estão escancaradas), de uma sociedade. A imagem da carcaça de baleia é a representação de toda essa atmosfera. Uma verdadeira saga de Jó.

a-teoria-de-tudo.01Com direção de James Marsh, A Teoria de Tudo é um legítimo filme que se vende pelo tema e não pela forma como é apresentado ao público. Baseado na biografia de Stephen Hawking, a história retrata o jovem astrofísico (Eddie Redmayne) e suas descobertas importantes sobre o tempo, além de retratar o seu romance com a aluna de Cambridge Jane Wide (Felicity Jones) e a descoberta de uma doença motora degenerativa quando tinha apenas 21 anos.

O expectador é enfaticamente obrigado a presenciar, mais uma vez, a questão da superação, em determinados momentos as cenas ganham um tom de palestra motivacional. Hawking e seu trabalho são abordados de maneira rala, algo que poderia ser mais explorado, como a relação da existência ou não de deus. A atuação física de Eddie Redmayne e o iminente desenvolvimento de um triângulo amoroso são o suporte para os poucos méritos.

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