SOPRANO: OS NOVOS CORLEONE

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6284d6a3d14f1e2538e6ffb32bc874e9Uma série sobre máfia? Sim, mais a trama criada por David Chase e produzida pela HBO vai muito além. É uma obra sobre poder e as relações pessoais do emaranhado que envolve o comando da Família Soprano.

A Família Soprano estreou há 15 anos e foi uma das produções de maior sucesso da história da HBO. A história acompanha a vida e da família de Tony Soprano (James Gandolfini), um homem de classe média de Nova Jersey, chefe da família DiMeo e patriarca da família Soprano.

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Durante toda a série, Tony luta para conciliar a vida familiar com a carreira profissional de mafioso, o que o leva a ter depressão, ataques de pânico e a sofrer com emoções reprimidas na infância – tratadas pela psicóloga Jennifer Mielfi (Lorraine Bracco) da melhor forma que ela consegue, apesar de discordarem em diversas questões. Existe uma atração mútua, mas a psicóloga nunca deixa transparecer. Além disso, a relação com sua mulher, Carmela Soprano (Edie Falco), é complicada e cheia de tensões, pois ela vive um grande conflito gerado pela “profissão” e infidelidades do marido.

O seriado pode ser considerado uma continuação de O Poderoso Chefão (1972), de Francis Ford Coppola. Enquanto os Corleone e Cia viviam o ápice de suas atividades da omertà, com o passar dos anos a pressão do FBI e do Governo Federal restringiram em cheio o ramo. O respeito mútuo e o código impecável entraram em decadência como já podemos ver em Os Bons Companheiros (1990), de Martin Scorsese. Os Sopranos é um prolongamento desse universo cada vez mais em declínio e a nova geração está afundada em roubos pequenos e não respeita os patriarcas. Um bom exemplo são as ações de Christopher Moltisanti (Michael Imperioli).

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Drogas e várias amantes, questões impensáveis para Don Vito Corleone (Marlon Brando), estão sempre no cotidiano de Tony Soprano. Um chefe da família – que é considerado um homem praticamente inacessível – é responsável por cuidar de seu tio Corrado “Junior” Soprano (Dominic Chianese) que está beirando a demência. Não consegue se livrar das armadilhas de sua mãe idosa Livia Soprano (Nancy Marchand). Um dos seus capitães da mais alta patente rouba uma velhinha para mostrar que não ficou abaixo de sua coleta da semana. Paulie Gualtieri (Tony Sirico) que o diga. A vida máfia está em um trem desgovernado e indo ladeira a baixo.

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As engrenagens dos negócios e os problemas envolvendo sua casa com Carmela Soprano (Edie Falco), Meadow Soprano (Jamie-Lynn Sigler) e Anthony “AJ” Soprano Jr. (Robert Iler) deixam Tony entorpecido e em uma profunda depressão com todos os dilemas que precisa resolver. Os ataques de pânico o deixam afogado e só as conversas com a psiquiatra Dra. Jennifer Melfi (Lorraine Bracco) servem para despejar suas preocupações.

O cinema é algo presente na série, pois está recheada de referências. Tony é atacado quando compra garrafas de suco de laranja, uma citação clara do longa de Coppola, pois o personagem de Marlon Brando é alvejado em meio a uma barraca de laranjas. Silvio Dante (Steven Van Zandt) constantemente cita uma das famosas frases de Michel Corleone (Al Pacino) em O Poderoso Chefão 3: “Just when I thought I was out, they pull me back in”. A buzina do carro de Paulie na hora de buscar Salvatore “Big Pussy” Bonpensiero (Vincent Pastore) relembra as notas da melodia criada por Nino Rota.

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Constantemente, o personagem de James Gandolfini não deixa de assistir grandes filmes na TV como Inimigo Público (1931), de William A. Wellman. Todavia, vários clássicos entram em discussão dos personagens como Taxi Driver, Casino, Scarface, Chinatown, Casablanca, A Última Tentação de Cristo, entre outros.

O seriado lida com a máfia, mas os tiroteios e as mortes insanas ficam de lado, a relação é o ponto mais forte. Grandes acontecimentos acontecem sem ser tratado de maneira didática ou sentimental demais. Simplesmente no tom certo. A espera é eterna com o protagonista e sua jornada, uma realidade que saca muito bem com Honra Teu Pai, livro de Gay Talese. Ninguém entende o que se passa em sua cabeça, nem ele mesmo, aqueles sonhos medonhos, um subconsciente retratado de forma incrível, que mesmo depois de anos nem a Dra. Melfi  foi capaz de entender. Uma ambiguidade de um personagem que permeia a camaradagem e a selvageria em questão de segundos. Esse é o Tony Soprano, que é bom, mal, ou as duas coisas juntas ao mesmo tempo.

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