A DILIGÊNCIA DE JOHN FORD PT 1

searchers3Falar de John Ford é difícil, o diretor tem uma filmografia muito extensa, muitos filmes foram perdidos e boa parte de sua obra não está bem sedimentada no mercado do home e vídeo. Rastros de Ódio (The Searchers, 1956) e O Homem que Matou o Facínora (The Man Who Shot Liberty Valance, 1962) são suas obras mais populares e conhecidas da maioria.

tumblr_msoganq2t11qzqju7o1_1280THAT’LL BE THE DAY

Nunca uma tradução para o português acertou tanto na hora de nomear um filme quanto Rastros de Ódio. Um título que expressa bem a ideia do longa, mais até que o nome original The Searchers. Ethan Edwards (John Wayne) e sua jornada carregada de raiva extrema pelos índios que dizimaram sua família, o único laço que ele se permitiu ter com o mundo. Sua paixão escondida pela mulher do seu irmão: Martha Edwards (Dorothy Jordan) e pelas suas sobrinhas. A câmera de Ford coloca esses fatos por meio das imagens e nunca pelas palavras, pois seus planos sempre falam por si só. A atmosfera construída diante do ataque a casa dos Edwards é sinistra e nebulosa, culmina com o close e o grito desesperado de Lucy Edwards. O latido do cachorro e a sombra do inimigo que representa uma elipse criam um cenário profano e do mal que estaria por vir.

9O lado errante do protagonista já é colocado em cena logo na primeira cena. A solidão de um mundo representada na figura de um homem. Um ex-soldado confederado que nunca se rendeu a União na Guerra de Secessão, não acredita em rendições, sempre esteve em guerra, como na busca por suas sobrinhas raptadas pelos índios do Chefe Scar (Henry Brandon). Sua mentalidade corre a esmo, assim como a frase constantemente verbalizada: That’ll be the day.

Enfrentou a neve e alguns peles vermelhas pelos caminhos, inclusive em uma armadilha sofrida junta com os Texas Rangers em uma perseguição que desemboca em uma encruzilha filmada de forma belíssima pelo mestre Ford. Sua abominação pelos índios já é explícita com Martin Pawley (Jeffrey Hunter), um mestiço índios que o acompanha na busca pelo Velho Oeste. Pior do que ver sua família morta é presenciar sua sobrinha Debbie Edwards (Natalie Wood) como uma esposa de Scar. É algo inaceitável pelo personagem, essa miscigenação acabou com o único resquício de vida em que algum dia ele depositou. O laço foi rompido e precisa desaparecer, estaria disposto a apertar o gatilho caso fosse necessário.

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Em um desfiladeiro, a corrida contra Debbie é uma das mais chocantes, a tragédia é certa e iminente. Em questão de segundos, a cena passa de uma rispidez para um abraço de ternura (Let’s go home, Debbie). Mesmo trazendo equilíbrio a história, Ethan sabe que não pertence aquele mundo, da mesma maneira que chegou, precisa sair, o enquadramento da porta é a única testemunha de seu profundo isolamento.

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