ROBERT E FRANCESCA

maxresdefaultUm homem que conheceu o mundo por meio de sua lente fotográfica – Robert Kincaid (Clint Eastwood) pela revista National Geographic – e uma mulher italiana cansada de sua rotina em um vilarejo de Iowa – Francesca Johnson (Meryl Streep). Dois universos distintos que se unem e mostram a maestria da direção de Clint Eastwood mais uma vez, um homem que se consagrou no western ou na cidade como um detetive nada convencional. Um diretor que sabe como poucos trabalhar com a alternância de gêneros e fazer um trabalho magnífico e cheio de sentimento em As Pontes de Madison (The Bridges of Madison County, 1995).

Por meio de flashbacks, sabemos o que aconteceu com Francesca nos quatro dias em que o seu marido e filhos ficaram fora para ir à feira do Estado de Illinois. Cheia do barulho da batida da porta, da rotina de dona de casa, de um mundo que se estende apenas em sua propriedade rural. A personagem fica maravilhada com um homem que apresenta uma liberdade em sua maneira de viver. A reportagem fotográfica das pontes cobertas região se torna o estopim para um encontro amoroso. Robert pode descer em qualquer estação de uma cidade pelo simples motivo de achar o local bonito e agradável. Nada o impede.

1118full-the-bridges-of-madison-county-screenshotClint é um ser americano por excelência, existe um orgulho pelo país, mas o que vemos em constante em sua obra é uma reflexão sobre a história de sua nação, uma autocritica. Os Johnsons representam uma família com todos os ideais do American way of Life, vivem em uma cidade bem no estilo conservadora. O cineasta traz um rompimento dessa atmosfera das aparências.

the-bridges-of-madison-county2-credit-amblin-malpaso-the-kobal-collection-regan-ken-the-bridges-of-madison-county-blu-ray-review-jpeg-60104Nos tempos atuais, o caso extraconjugal é relatado pela mãe em uma carta para seus filhos Carolyn Johnson (Annie Corley) e Michael Johnson (Victor Slezak). A filha entende os anseios e sonhos de sua mãe, enquanto o filho se mostra na defensiva.

Na década de 60, o longa chega até a mostrar um exemplo de como as fofocas da cidade acabaram com a reputação de uma moradora que traiu o marido. Em um café, Robert é o único a estender a mão. A fama que corre é que o fotógrafo é uma espécie de hippie, não se encaixa nos padrões morais do local.

Não tem como enxergar o espírito de John Ford como influência para Clint Eastwood.  O modo de vida daqueles habitantes julgadores é semelhante aos que expulsam Dallas (Claire Trevor) em No Tempo das Diligências (Stagecoach, 1939). Francesca tem receio de que possa virar a nova Dallas. Por isso, a discrição. Os dilemas e a intolerância no longa de 1995 são bem próximos aos que o Juiz Priest encontrava no seu dia a dia. Todos esses fatores dialogam com a obra de ambos os mestres.

BridgesMadisonCo_082PyxurzA roçada na perna da personagem de Meryl Streep na hora em que Robert se prepara para pegar algo no porta-luvas do carro. A tensão sexual quando os dois preparam a comida do jantar. Os gestos, as expressões, as imagens dizem tudo que a palavras não conseguem explicitar.

Francesca Johnson muda de roupa, se sente mais mulher, sorri, gargalha como há muito tempo não fazia, se sente sexy, erótica, desejada, bebe, fuma, desabrocha de vez. Como é bom ver o diretor mostrar todas suas habilidades, não importa se é mais conhecido por um filme insano, onde seus personagens matam quase tudo que anda ou rasteja, parafraseando Os Imperdoáveis (Unforgiven, 1992). Ele sabe lidar com o lado rude e a vulnerabilidade da vida.

BridgesMadisonCo_205PyxurzA cena final é uma das mais belas de toda a história do cinema. É ali que Francesca fica entre o homem que trouxe os seus sonhos à tona novamente, e o outro que deu toda a sua família. Aqueles quatro dias maravilhosos poderiam se perder em outra rotina. E toda a história criada com Richard Johnson (Jim Haynie) poderia se perder ao mesmo tempo.

BridgesMadisonCo_239PyxurzA chuva, a caminhonete partindo, os segundos que viraram eternidade na hora de tomar uma decisão. Talvez, ela tenha tomado a decisão que traria menos sofrimento. Ou não. São impressionantes as camadas de As Pontes de Madison ao tratar um conflito de gerações, discutir uma América profunda e não julgar uma mulher que foi capaz de amar dois homens em 1965.

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