CARRIE

carrie762Os anos 70 viviam uma turbulência que tinha reflexo no cinema, o mundo estava em ebulição com a Guerra do Vietnã. Carrie, A Estranha (Carrie, 1976) é a história de uma adolescente, contudo dialoga muito bem com as insanidades da época. Uma obra-prima de Brian De Palma.

Na trama, Carrie White (Sissy Spacek) é uma jovem que não faz amigos em virtude de morar em quase total isolamento com sua mãe Margareth (Piper Laurie), uma pregadora religiosa que se torna cada vez mais ensandecida.carrieLogo na abertura, Brian De Palma mostra toda a delicadeza e brutalidade de susissy-spacek-as-carrie-carrie-1976-16585044-445-628a câmera. A cena traz a protagonista tomando banho após uma aula de educação física. O travelling desliza suave para vestiário tomado de vapor e da garota que mescla um lado virginal e sensual ao mesmo tempo. Toda essa atmosfera leva um corte brusco, onde Carrie tem sua primeira menstruação. A garota nem sonha o que isso significa, vira chacota pelas outras meninas, é como se tivesse sofrido um ferimento, o sangue grita na tela.

Uma professora fica espantada pela sua falta de informação e Sue Snell (Amy Irving), uma das alunas que zombaram dela, fica arrependida e pede a Tommy Ross (William Katt), seu namorado e um aluno muito popular, para que convide Carrie para um baile no colégio. Chris Hargenson (Nancy Allen), uma aluna que foi proibida de ir festa, prepara uma terrível armadilha que deixa Carrie ridicularizada em público.

carrie1Carrie é uma outsider, seja na escola, pois não se enquadra no padrão da maioria. Seja na própria casa, pois sua mãe enlouquecida vê que a garota se encaminha para o lado profano após a menstruação. É impressionante como o diretor consegue colocar uma confrontação de ideias contrárias em um mesmo plano. A opressão sofrida por todos os lugares impulsiona os poderes de telecinese da personagem. O longa se transforma em um terror psicológico e físico.

1035x1311-20140429-carrie-x1800-1398806468O trabalho de Brian de Palma é um tapa na cara do Código Heys que funcionava como uma espécie de cabresto para o cinema. O cineasta realiza um plano sequência que evidencia o lado lúdico de uma noite em um baile e culmina em um foco da ameaça futura: um balde cheio de vísceras de um porco morto. Mais uma vez, a delicadeza dá lugar a brutalidade. O american way of life se modifica em uma vingança, o travelling circular que enfatizava uma noite dos sonhos, se transforma em uma divisão de tela com o caos. O conto de fadas virou pesadelo.

Imagem1A relação de mãe e filha do longa dialoga muito bem com a de Norman Bates (Anthony Perkins) em Psicose (Psycho, 1960), de Alfred Hitchcock. E Carrie não acaba em si mesmo, a última cena revela que os traumas continuam, a insanidade e a beleza possuem um lugar próximo, andam lado a lado, e se manifestam ao mesmo tempo no olhar de Brian De Palma.

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