ZUMBI É VIDA NO CINEMA!

nightdead1Filmes de zumbi estão longe de serem filmes de zumbi propriamente dito, pois focam nas relações do ser humano em uma situação limite, um recorte da sociedade e de uma época. O terror consegue colocar à tona questões em que muitos filmes dramáticos fazem às duras penas. O apocalipse zumbi tem estado em evidência em virtude do sucesso da série de TV The Walking Dead. Porém, o gênero é um dos maiores responsáveis por trazer obras viscerais e críticas do cinema.

A Noite dos Mortos Vivos (Night of the Living Dead, 1968), clássico de George Romero, pode se dizer que inaugura a vida dos mortos vivos nas telonas no sentido que conhecemos, pois antes o que se via anteriormente era algo próximo ao catatônico. A trama se passa no interior dos Estados Unidos, onde um grupo de pessoas se refugia numa casa de fazenda, para sobreviver ao ataque feroz de mortos vivos comedores de gente.

Duane Jones (second from right) makes zombie history as Ben in Night of the Living Dead.

Logo na primeira cena, vemos o isolamento dos personagens com a chegada do carro com Barbra (Judith O’Dea) e seu irmão no cemitério. A atmosfera apocalíptica já toma conta da tela, a imensidão das tomadas panorâmicas de George Romero vão se tornando planos mais fechados e claustrofóbicos.

E o que dizer de Ben (Duane Jones)? O herói que surge, jogado como o possível salvador… Um negro como protagonista de um filme americano na época era algo nada comum. O personagem toma decisões funcionais, dá um tapa na cara da burguesa Barbra que é tomada pelo pânico, beirando a loucura.

Por mais que as hordas de zumbi não param de chegar, ao longo do filme vamos enxergando o verdadeiro inimigo. As informações vão chegando de forma fragmentada, um satélite carregado de radiação que cai na Terra é o responsável pelo surgimento de mortos vivos. Traição, desconfiança, os ocupantes da casa mais brigam entre si, do que com os comedores de carne humana. O ser humano é o inimigo de si mesmo.

O filme traz uma solução, vira uma espécie de velho oeste, atirar na cabeça desses monstros desconhecidos se tornou hobby. O final revela toda a intransigência e a incapacidade de se relacionar com o outro. É cru, sem esperança. Qualquer um que não esteja nos padrões estabelecidos do american way of life é um zumbi e vai ser exterminado.1 big

Outra produção que flerta com esses mesmos contextos sociais e políticos é Não se Deve Profanar o Sono dos Mortos (No profanar el sueño de los muertos, 1974), contudo o âmbito da ação acontece na Inglaterra e com direção Jorge Grau.

A história mostra um inspetor policial (Arthur Kennedy) que persegue dois jovens suspeitos de assassinatos: George Meaning (Ray Lovelock) e Edna Simmonds (Cristina Galbó). Porém, os verdadeiros culpados são mortos-vivos. A influência com a obra de George Romero está no cerne do longa. A trama é bem realista, uma máquina usa radiação para combater pragas na plantação. O resultado é perfeito, entretanto as substâncias são capazes de colocar de volta a vida os mortos.O trabalho de Jorge Grau deixa traços marcantes como o mendigo que morreu afogado e torna um zumbi que espalha seu rastro de terror, sangue e água; a superforça; o contato do zumbi com um cadáver que já possibilita o surgimento de novos zumbis, além do característico som abafado dos mortos vivos.

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Arthur Kennedy encarna muito bem a irracionalidade que é enfatizada no filme de Romero, um policial que tinha como objetivo um cargo maior na área de segurança, todavia terminou como um simples inspetor policial de Manchester. Caça o casal de inocentes como se fosse a última missão de sua vida. A sequência no hospital revela uma armadilha para aqueles que não querem admitir a verdade, algo além da lógica da capacidade humana. A austeridade é o mote em questão.

2795742735_8f4a8b4f88Outras produções procuram dar um tom diferente no cinema zumbi. A Noite do Terror Cego (La Noche del Terror Ciego, 1972), de Armando de Ossorio, coloca um grupo de amigos que passa o final de semana em Portugal, onde, nas ruínas de um mosteiro, são vítimas de mortos-vivos cegos, antigos cavaleiros templários. Um culto de demoníaco milenar é responsável por dar vida a essas criaturas.

Já Fred Dekker faz uma homenagem ao cinema de terror e aos filmes B dos anos 40 NIght-of-the-Creepse 50 em A Noite dos Arrepios (Night of the Creeps, 1986). Na trama, jovens universitários são infectados por parasitas espaciais que se alimentam do cérebro dos hospedeiros e os transformam em zumbis.

O tributo fica claro ao depararmos com personagens que levam o nome de Chris Romero, Cynthia Cronenberg, Ray Cameron, James Carpenter “J.C.” Hooper, Sgt. Raimi, Mr. Miner. Det. Landis (Wally Taylor) é uma releitura dos personagens intransigentes da lei, contudo está do lado certo desta vez.

Resumindo, zumbi é vida no cinema!

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