LIVRO MEMÓRIAS DO CINEMA

25A Mostra e a Editora Brasileira lançam nesta sexta-feira (30), às 19h, na Livraria Blooks do Shopping Frei Caneca, o livro Memórias do Cinema – Um Idioma Universal.

O livro dá sequência à Coleção Os filmes da minha vida, ciclo de depoimentos nos quais convidados da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo comentam e analisam informalmente como o cinema ou mesmo inúmeros filmes marcaram suas vidas.

A premissa é evocar a memória não apenas emotiva de cada depoente, mas destacar filmes que tiveram importância na história de cada um, e que acabam convergindo para uma história do cinema.

Como disse Renata de Almeida, organizadora deste volume e idealizadora da coleção (juntamente com Leon Cakoff), “em tempos de transitoriedade, onde a última novidade parece ser o que realmente importa e conta, poder desenvolver e aprimorar ideias é um privilégio. Para isso há que se ter dedicação e também muita teimosia!”Foi com essa persistência que a Mostra pôde dar continuidade a essa Série, possibilitada por uma nova e bem-vinda parceria: a da Editora Brasileira, por meio de seu diretor Pedro Fernandes Saad, também com um braço na área do áudio-visual — a Produtora Brasileira.

Este número duplo se consolida com a participação de importantes críticos nacionais e internacionais, homens de letras, empreendedores, diretores, roteiristas e atores, contribuindo para a construção de um pensamento sobre o cinema e a cultura, vasta área de conhecimento na qual ele se insere.

Entre os cineastas mais destacados no cinema contemporâneo, a Mostra já trouxe para este ciclo, Wim Wenders, trazendo agora o jovem cineasta chinês Jia Zhangke, promessa de uma nova geração.

É interessante destacar alguns eixos de análise e interpretações que circundam temas semelhantes em inúmeros desses depoimentos.

Glauber Rocha, por exemplo, além de ser objeto central do depoimento de Zuenir Ventura, contribuindo para fatos de sua biografia, é analisado — ao lado de Nelson Pereira dos Santos, Joaquim Pedro de Andrade e Leon Hirszman — por colegas não necessariamente de sua geração, como Murilo SallesLauro Escorel e Helvécio Ratton.

Esses três abordam ainda um momento específico do cinema nacional, em que cineastas — ativistas e compromissados — como inúmeros outros profissionais, pretendiam mudar por meio de seus ofícios, a realidade brasileira e latino-americana, quando o continente estava quase inteiro sob o jugo de ditaduras militares.

Os depoimentos de Ignácio de Loyola Brandão e Artur Xexéo exibem com prodigalidade como eles se construíram como cinéfilos desde sua infância, por força de circunstâncias e buscas pessoais.

Bráulio Mantovani, o mais jovem participante desse ciclo, traz questões ligadas à visão e à prática do roteiro, dando genuína contribuição a essa especificidade literária.

Walter Salles, um novo valor como Mantovani, parte do cinema chinês, ao qual se aproximou, para mostrar a força imperiosa de uma nova linguagem cinematográfica e à necessidade de um novo olhar nos dias de hoje, não apenas no cinema, mas em todas as artes.

Maria do Rosário se destaca com sua predileção por épicos e por um cinema militante, trazendo agudas análises que não se encontram no dia a dia de nossos periódicos.

Matheus Nachtergaele faz um corajoso depoimento pessoal, de caráter autobiográfico e introspectivo, apoiado em filmes que sustentam esse seu mergulho num universo em que sua própria história é escancarada.

 Júlio Bressane preferiu se ater a um único filme, conhecido de muito poucos, para trazer à luz a genialidade única de um colega de geração, Rogério Sganzerla.

Danilo Santos de Miranda e Tata Amaral partem de evocações que se prendem ao cinema italiano, tão caro a ambos, mas que derivam para aspectos particulares que marcaram cada um.

 Cássio Starling CarlosJosé Carlos AvellarJean-Michel Frodon e Michel Ciment se inserem em tradição crítica apoiada em depoimentos que já nascem mais estruturados pela força de seu ofício, destacando-se a lucidez de Ciment, quase um guia iluminado num mundo em que convicções —  estéticas e políticas — já não se afirmam com a firmeza e a clareza  indispensáveis.

Lançamento Memórias do Cinema – Um Idioma Universal
Quando: 30 de outubro, sexta-feira, 20h
Onde: Livraria Blooks – shopping Frei Caneca, 3º piso (rua Frei Caneca, 569)
Quanto: entrada franca

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