BEYOND THE SPEED OF SOUND

0101 (1)Parece que foi ontem, mas já faz quase 20 anos daquele domingo fatídico de 1 de maio de 1994. O documentário Senna, de Asif Kapadia, nos faz relembrar de certas histórias que foram esquecidas na época de infância e ficaram meio deixadas de lado com o tempo. A personalidade forte e o espírito competitivo eram as maiores marcas desse gênio do automobilismo.

Senna queria correr, competir, o dinheiro e glamour extra pista não era seus principais atrativos. Não é à toa que vivia tendo estranhamentos e discussões com a  FIA e o seu presidente na época o francês Jean-Marie Balestre. Sempre colocou suas opiniões firmes e fortes durante reuniões entre os pilotos e dirigentes, mesmo que isso criasse complicações burocráticas para seu desempenho com as quatro rodas.

12O filme mostra cena de bastidores, arquivos familiares e entrevistas com pessoas que foram íntimas do piloto. Onde era o limite de Ayrton Senna? O que lhe inspirava para acelerar onde todos queriam frear? Sua determinação era imensurável, não tinha alcances. Tudo isso em função somente de uma coisa: competir.

Quando um jornalista pergunta qual foi seu maior rival nas pistas, Senna não fala de nenhum dos pilotos que correram contigo na F1. Ele volta aos seus tempos de kart e cita um adversário que o marcou. Essa era uma época em que se importava apenas correr, não existia nenhum dinheiro ou politicagem.10A rivalidade com Alain Prost merece um capítulo a parte. Apesar das brigas e discussões, a paciência que se esgotava, existia um respeito mútuo entre ambos, era uma disputa que os engrandecia como pilotos, como pessoas, um benefício contra a comodidade do esporte.

Quando chega o 1 de maio de 1994, mesmo já sabendo do fim, você deseja para que a corrida não acontecesse, que aquele dia não tivesse existido. Porém, infelizmente não é isso que ocorre…09

CADUCAGEM

12mar2013---messi-chuta-a-bola-e-marca-o-segundo-gol-do-barcelona-sobre-o-milan-pela-liga-dos-campeoes-da-europa-1363121958283_1024x768Lionel Messi Sweden v Argentina International AOIf97IL7SflA Revista Piauí tem textos belíssimos e reflexivos sobre o futebol. Vale destacar dois recentes: Depois do 4 X 0, de Nuno Ramos e Obrigação e Retrocesso, de Tostão. Ambos fazem pensam do que é feito e qual a situação atual do futebol brasileiro.

As palavras de Nuno Ramos pegam a vitória esmagadora do Barcelona para colocar em xeque a ilusória sensação de que as terras tupiniquins tem o melhor futebol do mundo. “Este time inovador [Santos] que ganhou a Libertadores aos trancos e barrancos e com um chute impossível de Danilo, criaria uma espécie de ilusão renitente no futebol brasileiro. Como um fantasma gentil, já não estava lá, mas era ele que todos enxergavam, até que a derrota para o Barcelona pusesse as coisas no lugar”.

A matéria até faz uma radiografia completa do esporte e sua história no país. “Acho que a classicidade meio grega dos três primeiros títulos mundiais formaram um patrimônio que é nosso orgulho e fundamento, mas que é preciso também saber superar. Caracterizada por uma plasticidade indefinida, aberta à circunstância, como um vira-lata – provavelmente, aquele mesmo de Nelson Rodrigues – farejando numa rua de subúrbio, a seleção jogava (melhor) e deixava que o adversário jogasse. Visível já em 1950, mas posta numa espécie de latência pela derrota para o Uruguai, impõe-se então como modelo definitivo do futebol brasileiro”.

“O reinado do vira-lata termina, como se sabe, em 74, com a nova movimentação em campo da seleção holandesa. Não tanto pelo jogo que perdemos para eles (podíamos ter ganhado ainda no primeiro tempo), mas pelo significado que o modo de jogar do time holandês alcançou”.756738Já Tostão enxerga o mesmo sentido na seleção brasileira, que com as mudImageProxy (3)anças recentes procuram achar a atmosfera vira-lata que deu sucesso no passado. “A Grande dúvida é se o torcedor brasileiro vai ficar feliz apenas com a vitória ou vai também reivindicar um futebol que encante, como já encantou. Tudo a partir de agora, e cada vez mais, vai girar em torno da “obrigação de vencer”. Há muitos interesses em jogo. Marin, um comandante antigo e obsoleto, fez o gesto previsível ao apontar o dedo para a dupla pragmática [Felipão e Parreira]. O que se tenta é a reciclagem de um passado vitorioso. Seria melhor se estivesse em curso uma modernização efetiva no estilo de jogo e na organização mais geral do futebol brasileiro, independentemente do resultado na Copa”.

Ambos os textos mostram que o futebol é pensado de maneira caduca no país, sem qualquer questionamento para uma nova plataforma de mudanças, sem criar uma nova filosofia. Com o andar da carruagem, os fantasmas ainda assombrarão por muito tempo.