A FULLER LIFE

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Quando Samantha Fuller nasceu, seu pai, Samuel Fuller, já tinha 63 anos. Filha única, ela passou boa parte da adolescência viajando para festivais no mundo todo, carregando sacolas e charutos para ele. “Nós nunca tirávamos férias, as férias eram os festivais mesmo. Lembro de uma vez em Locarno, quando passaram na praça Dragões da Violência (Forty Guns, 1957). Tivemos uma longa discussão sobre como abrir um filme, agarrando o público pelo pescoço”.

É o que Samantha, hoje com 38 anos, faz em seu primeiro longa como diretora, o documentário A Fuller Life, apresentado na Mostra. Ela convidou atores emblemáticos de Fuller, como Constance Towers (O Beijo Amargo) e Bill Duke (Uma Rua Sem Volta), para lerem trechos da autobiografia A Third Face, que o diretor escreveu em seus dois últimos anos de vida, quando vivia paralisado por um derrame. “Meu pai gostava de falar muito. Você dava bom dia e ele já saía contando mil histórias. Foi frustrante pra ele não poder mais falar. Mas continuava gesticulando, acabou inventando sua própria linguagem pra se expressar.

Samantha cuida dos arquivos do pai, que incluem documentos, reportagens de jornal e roteiros inéditos. Um dia, ela encontrou escondida atrás do gabinete do escritório da casa uma brochura na qual se lia “Não abra”. Era mais um roteiro inédito, para o qual Samuel aguardava o produtor certo que o financiasse.
Sua luta agora é para viabilizar o roteiro de um filme noir deixado pelo pai, Homicide Department. Gostaria muito de dirigi-lo, mas está disposta a abrir mão caso o produtor exija. “Não importa se será por 500 mil, 5 ou 50 milhões de dólares, farei esse filme de qualquer jeito”. Como se vê, Samantha herdou a obstinação e a coragem do pai.

Texto do http://37.mostra.org/br/pag/entrevista-samantha-fuller

LAS ACACIAS

cena-do-flime-argentino-las-acacias-de-pablo-giorgelli-1378357758499_956x500Las-Acacias (2)Existem filmes que pode ser considerados monótonos, sem nenhuma ação. Essa é a reação para os desatentos que conferirem Las Acacias, longa argentino de Pablo Giorgelli. A trama se desenvolve no caminhão de Rubén (Germán De Silva) que transporta madeira entre Assunção, no Paraguai, e Buenos Aires, na Argentina. Em uma dessas viagens, ele é obrigado a dar carona para Jacinta (Hebe Duarte) e seu bebê.

O protagonista as recebe como rispidez, sem qualquer demonstração de afetividade. Joga as malas de qualquer jeito pelo caminhão. Não dedica nenhuma atenção as suas cias, nem sequer uma palavra. Não responde a nenhum chamado, sempre com a cara fechada, totalmente em silêncio, torcendo para que o trajeto acabe o quanto antes. Continuar lendo